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Política Nacional

EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas: impactos e reações no Brasil

Medida americana gera debate sobre soberania e cooperação internacional no combate ao crime organizado brasileiro.

EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas: impactos e reações no Brasil - classificação PCC e CV como terroristas

EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas: impactos e reações no Brasil - classificação PCC e CV como terroristas

Medida americana gera debate sobre soberania e cooperação internacional no combate ao crime organizado brasileiro.

Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (29) a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas, decisão que já vinha sendo articulada desde 2022, segundo o promotor Lincoln Gakiya. A medida provoca discussões sobre os impactos na cooperação entre Brasil e EUA na luta contra o crime organizado.

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos foi confirmada em 29 de maio, em uma decisão que, conforme o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, já estava praticamente definida desde o ano passado. Gakiya, que atua há mais de duas décadas no combate ao PCC em São Paulo e em âmbito nacional, revelou em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, que a decisão americana não dependia das manifestações brasileiras e que o anúncio foi apenas a formalização de um processo em andamento.

O promotor explicou que, em 2022, autoridades americanas estiveram no Brasil para coletar informações sobre as facções criminosas. Ele foi ouvido por assessores do senador Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, e destacou que apresentou o PCC como uma organização mafiosa com características violentas e domínio territorial, mas sem motivações políticas ou ideológicas, atuando exclusivamente por interesses econômicos.

“Eles deixaram claro que o objetivo era reunir dados para subsidiar uma decisão que seria tomada nos Estados Unidos, independentemente da posição brasileira”, afirmou Gakiya. A oficialização da classificação ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Marco Rubio, ocasião em que o secretário americano teria demonstrado apoio à medida.

Apesar do alinhamento americano, o governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, manifestou oposição à decisão, preocupando-se com a soberania nacional e os efeitos na cooperação internacional. Gakiya ressaltou que a nova classificação pode restringir o fluxo de informações entre os países, uma vez que dados relacionados às facções podem passar a ser tratados como confidenciais ou secretos sob a ótica da defesa nacional dos EUA.

“Com essa mudança, o combate às organizações deixa de ser uma questão policial comum para se tornar um assunto de segurança nacional dos Estados Unidos, envolvendo agências como a CIA, o FBI e as Forças Armadas”, explicou o promotor. Essa alteração, segundo ele, pode dificultar a troca de inteligência e o trabalho conjunto entre as autoridades brasileiras e americanas.

O contexto dessa decisão insere-se em um cenário de crescente preocupação internacional com o avanço das facções criminosas brasileiras, que têm ampliado sua atuação e influência. A medida dos EUA representa uma tentativa de intensificar a pressão sobre essas organizações, porém, levanta questões sobre os limites da cooperação bilateral e o respeito à autonomia do Brasil na condução de suas políticas de segurança pública.

Contexto

Desde a década de 1990, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) se consolidaram como as principais facções criminosas do Brasil, especialmente no estado de São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. Ambas são responsáveis por diversas atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas, extorsão e violência armada. Nos últimos anos, a atuação dessas organizações ultrapassou as fronteiras nacionais, o que motivou interesse de agências internacionais, principalmente dos Estados Unidos, em monitorar e combater suas operações. A classificação como grupos terroristas representa uma mudança significativa na abordagem internacional sobre o crime organizado brasileiro.

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