
Indicação do ex-parlamentar republicano causa desconforto diplomático, mas governo brasileiro mantém análise técnica e descarta vetos políticos.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou que a indicação de Daniel Perez para o posto de embaixador dos Estados Unidos no Brasil seja recusada por razões ideológicas. A nomeação, feita sem consulta prévia ao Itamaraty, gerou incômodo, mas a avaliação oficial seguirá critérios técnicos e diplomáticos tradicionais.
A nomeação de Daniel Perez como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, anunciada pelo governo Trump sem o procedimento formal de consulta prévia ao governo brasileiro, provocou desconforto no Itamaraty. No entanto, fontes diplomáticas do governo Lula afirmam que a indicação não será rejeitada por alinhamentos políticos ou ideológicos do indicado, mesmo com sua ligação ao movimento “Make America Great Again” (MAGA) e sua proximidade com pautas defendidas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
A prática diplomática exige o chamado “agrément”, uma aprovação confidencial do país receptor antes da divulgação pública do nome do indicado. O Brasil, ao receber o pedido formal, fará uma avaliação detalhada do currículo de Perez, incluindo a verificação de eventuais posições contrárias aos interesses nacionais. Caso não haja impedimentos formais, a análise não levará em conta divergências políticas ou ideológicas, conforme interlocutores da área internacional do governo brasileiro.
A diplomacia brasileira ressalta a importância simbólica e prática de contar com um embaixador titular, que possui interlocução direta e mais ampla com as autoridades locais, diferentemente do encarregado de negócios, cargo atualmente ocupado por Gabriel Escobar na missão americana em Brasília. A partir de julho, Natasha Franceschi assumirá o posto de encarregada de negócios, substituindo Escobar.
Daniel Perez é parlamentar da Flórida e filho de imigrantes cubanos. Nascido em Nova York, mudou-se para a Flórida ainda criança em 1993. Filiado ao Partido Republicano, Perez apoia as políticas do ex-presidente Donald Trump e lidera a Câmara da Flórida desde 2024. Em 2025, os Estados Unidos estão sem um embaixador oficial no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo governo Biden.
A indicação de Perez ocorre em meio a um embate político local, envolvendo o governador da Flórida, Ron DeSantis, e o próprio indicado, que chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral do estado, mas optou por permanecer na presidência da Câmara estadual.
Apesar do incômodo causado pela ausência da consulta formal, o governo brasileiro mantém o compromisso de conduzir a análise da indicação com base em critérios técnicos e diplomáticos, afastando a possibilidade de rejeição motivada por diferenças ideológicas. A medida reforça o entendimento de que as relações bilaterais devem transcender alinhamentos partidários, privilegiando o diálogo institucional entre os países.
Contexto
A indicação de embaixadores estrangeiros segue um protocolo diplomático que inclui a solicitação do “agrément” para garantir a aceitação do país receptor. A ausência dessa consulta prévia pode gerar tensões, como no caso da nomeação de Daniel Perez, que representa uma corrente política alinhada ao ex-presidente Donald Trump. O Brasil, sob o governo Lula, mantém uma postura de análise técnica e pragmática nas relações internacionais, evitando que divergências políticas interfiram na diplomacia oficial. Desde janeiro de 2025, os EUA não possuem um embaixador titular no Brasil, o que torna a nomeação de Perez um marco importante para a retomada do diálogo formal entre as duas nações.