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Política Nacional

Lula reúne ministros para discutir ofensivas dos EUA contra o Brasil e pauta interna

Encontro acontece após anúncio dos EUA sobre tarifas e designação de facções criminosas como organizações terroristas

Encontro acontece após anúncio dos EUA sobre tarifas e designação de facções criminosas como organizações terroristas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu nesta quarta-feira (3) a segunda reunião ministerial de 2026, em um momento de crescente pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, com temas que envolvem desde medidas comerciais até segurança pública e pautas legislativas.

Em meio a uma série de ações adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu seus ministros nesta quarta-feira (3) para discutir os desdobramentos dessas ofensivas e alinhar a estratégia do governo. A reunião, a primeira desde as trocas ministeriais ocorridas em abril, ocorre em um cenário delicado, marcado por tensões diplomáticas e desafios internos.

Entre os principais assuntos em pauta está a recente proposta do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada na última segunda-feira (1º), após investigação que apontou práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio americano, incluindo questões relacionadas ao PIX, desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação das leis anticorrupção. Apesar da proposta, o governo americano excluiu da taxação itens estratégicos como carne, café, frutas, aeronaves e terras raras. A sobretaxa ainda depende de conclusão formal da investigação e consultas públicas para entrar em vigor.

O governo brasileiro recebeu o relatório dos EUA com indignação, classificando-o como uma ingerência e atribuindo sua origem a provocações da família Bolsonaro. Em discurso realizado em Catalão, Goiás, na terça-feira (2), Lula cobrou diretamente o então presidente Donald Trump por uma reunião para esclarecer as medidas adotadas pelos americanos.

Outro ponto crítico abordado na reunião foi o anúncio do Departamento de Estado dos EUA de classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. O governo federal ainda avalia os impactos dessa decisão. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que buscará diálogo com autoridades americanas para tratar do tema. Lula reafirmou que o combate ao crime organizado será feito internamente, sem aceitar interferências externas.

No âmbito legislativo, a reunião também discutiu a recente aprovação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho. Embora tenha recebido apoio da base aliada do presidente, a proposta enfrenta resistência no Senado, onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, declarou que o Senado não pode ser obrigado a aprovar a PEC e encaminhou outra proposta para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Além disso, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi tema do encontro. Após rejeição histórica no Senado em abril, Lula anunciou a intenção de reenviar o nome de Messias para a vaga em aberto no STF, que permanece desde o ano passado. A rejeição ocorreu na mesma semana em que o Congresso derrubou o veto presidencial ao projeto que reduz penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro, beneficiando, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reunião ministerial desta quarta-feira representa o esforço do governo Lula para responder às pressões externas e internas, alinhando estratégias políticas e econômicas diante de um cenário complexo e desafiador.

Contexto

Desde o início de 2026, as relações entre Brasil e Estados Unidos têm registrado episódios de tensão, especialmente após o governo americano anunciar investigações e medidas tarifárias contra produtos brasileiros. A designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA também gerou repercussão diplomática. Internamente, o governo enfrenta desafios legislativos e políticos, como a reforma da jornada de trabalho e a indicação para o STF, que têm impacto direto no cenário eleitoral e na governabilidade.

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