
Documento enfatiza postura de reconhecimento do PT às igrejas evangélicas e repudia o uso eleitoral da fé em ano de eleições
O Partido dos Trabalhadores (PT) publicou uma carta dirigida aos evangélicos, destacando o respeito e o reconhecimento que os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre mantiveram com as igrejas evangélicas. O manifesto foi divulgado após o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado logo após a Marcha para Jesus em São Paulo.
O PT lançou na noite de segunda-feira (8) uma carta aberta aos evangélicos, reforçando a relação de respeito e reconhecimento que as administrações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantiveram com as igrejas evangélicas no Brasil. O documento foi elaborado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, que ocorreu poucos dias após a tradicional Marcha para Jesus, realizada em 4 de junho, em São Paulo. Embora o presidente Lula não tenha participado pessoalmente do evento, ele enviou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para representá-lo. Em uma ligação durante a marcha, Lula explicou que optou por não comparecer para evitar que sua presença fosse interpretada como uma tentativa de obter benefício político em um evento de cunho religioso, especialmente em ano eleitoral. Na carta, o PT evita temas controversos ligados à pauta de costumes e prioriza destacar as ações dos governos petistas em prol da liberdade religiosa e do fortalecimento das igrejas evangélicas. Entre as medidas ressaltadas estão a aprovação de leis que garantem o livre exercício dos cultos, facilitam a criação de templos e reconhecem a música gospel como patrimônio cultural brasileiro. Além disso, o partido cita a instituição de datas nacionais relacionadas à fé cristã e ao combate à intolerância religiosa. O texto afirma que, historicamente, os governos do PT nunca adotaram postura contrária às igrejas evangélicas, sempre mantendo diálogo respeitoso e reconhecendo a importância social e cultural dessas instituições. “Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica”, diz o documento. O partido ainda manifesta apoio à continuidade do projeto político liderado por Lula, ressaltando o compromisso com a democracia e os valores populares. A carta também destaca que o compromisso do PT com as igrejas não tem caráter eleitoral, citando uma declaração recente do presidente Lula sobre a importância de não explorar a fé para fins políticos. “Este compromisso não nasce do uso eleitoral da fé, pois compartilhamos do entendimento do próprio presidente de que não se deve ‘tirar proveito político de uma coisa sagrada'”, afirma o texto. O documento é concluído com uma bênção ao Brasil, invocando proteção divina para a democracia, a soberania nacional e os valores cristãos, e um apelo para que as ações do país sejam guiadas pela fé, justiça, paz, esperança e bem comum. A divulgação da carta ocorre em um momento em que o governo busca ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico, segmento que tem crescido em relevância política e no qual Lula enfrenta desafios para conquistar maior apoio. Em 2022, a maioria dos evangélicos não votou no presidente, e esse grupo tem influenciado negativamente a popularidade do governo em pesquisas recentes. Durante a Marcha para Jesus, que reuniu milhares de pessoas em São Paulo, estiveram presentes diversas lideranças políticas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que discursou mencionando uma “guerra espiritual” e a necessidade de expulsar o “mal do governo”. Também participaram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e o advogado-geral da União Jorge Messias, representante de Lula. O PT, por sua vez, busca fortalecer laços com as igrejas evangélicas para ampliar seu alcance eleitoral e reforçar a imagem de respeito e diálogo com esse importante segmento da sociedade brasileira.
Contexto
A relação entre o PT e o eleitorado evangélico tem sido um desafio para o partido, especialmente após as eleições de 2022, quando o presidente Lula teve menor adesão entre esse grupo em comparação com outros segmentos religiosos. Historicamente, o PT sempre buscou manter o respeito às diversas religiões, promovendo políticas públicas voltadas à liberdade religiosa e ao combate à intolerância. A Marcha para Jesus é um evento tradicional que mobiliza milhões de evangélicos no Brasil e tem se tornado espaço estratégico para políticos que buscam apoio desse segmento. Em 2023, a divulgação da carta pelo PT e a participação de representantes do governo na marcha indicam uma tentativa de reaproximação e diálogo com as igrejas evangélicas, que têm grande influência no cenário político nacional.