
Levantamento realizado em junho de 2026 mostra percepção dos brasileiros sobre tarifas dos EUA e classificação de facções como organizações terroristas.
Uma pesquisa realizada pela Quaest entre 5 e 8 de junho de 2026 aponta que 55% dos brasileiros acreditam que as tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terão impacto direto em suas vidas ou de seus familiares.
A pesquisa Quaest, divulgada em 10 de junho de 2026, entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais para avaliar a percepção da população sobre as recentes medidas econômicas e políticas adotadas pelos Estados Unidos em relação ao Brasil. O levantamento revelou que 55% dos entrevistados acreditam que a proposta de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, ainda não implementada, pode afetar seu cotidiano ou o de seus familiares. Por outro lado, 37% consideram que essas taxas não terão impacto em suas vidas, enquanto 8% preferiram não responder ou não souberam opinar.
A proposta de tarifas foi anunciada na semana anterior, após uma investigação dos EUA apontar que o Brasil estaria adotando práticas que limitam o comércio bilateral. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral é BR-07661/2026.
Além das tarifas, o estudo abordou a percepção dos brasileiros sobre o relacionamento político entre Brasil e Estados Unidos, incluindo a repercussão do encontro realizado no fim de maio entre o deputado Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-presidente americano Donald Trump. Metade dos entrevistados declarou estar ciente dessa reunião, enquanto a outra metade desconhecia o fato.
O levantamento também investigou a opinião pública sobre a decisão do governo Trump de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados já tinham conhecimento dessa medida, enquanto 36% ficaram sabendo durante a entrevista.
Quando questionados sobre a classificação dessas organizações como terroristas pelo governo brasileiro, 60% concordaram com a medida, 29% foram contrários e 11% não souberam ou preferiram não opinar. Em relação à classificação feita pelos Estados Unidos, a opinião ficou dividida, com 45% apoiando e 45% discordando, além de 10% que não se posicionaram.
Sobre a influência de Flávio Bolsonaro na decisão americana de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, 47% dos entrevistados acreditam que o deputado teve papel relevante, 37% negam essa influência e 16% não souberam ou não quiseram se manifestar.
A decisão dos EUA foi anunciada no fim de maio, um dia após Flávio Bolsonaro se reunir com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Especialistas em segurança pública avaliam que essa classificação pode representar riscos à soberania nacional brasileira, enquanto defensores da medida destacam a possibilidade de fortalecer a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Contexto
A tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos aumentou em junho de 2026 após Washington anunciar a intenção de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, em resposta a supostas práticas comerciais restritivas do Brasil. Paralelamente, o governo americano classificou as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, uma decisão que gerou debates sobre segurança e soberania. O encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump também ganhou destaque, suscitando questionamentos sobre influências políticas nas decisões dos EUA.