
Diretório do Novo em Santa Catarina exige mudanças na comunicação de Zema e ameaça se opor à sua candidatura presidencial em 2026
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, Romeu Zema, teve seu convite para um encontro da legenda em Santa Catarina cancelado após críticas ao senador Flávio Bolsonaro. A decisão, anunciada pelo diretório estadual, também inclui uma exigência para mudanças imediatas na equipe de comunicação do político.
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, foi desconvidado de um evento do partido em Santa Catarina, marcado para o início de julho. A decisão foi tomada pelo diretório estadual após críticas públicas feitas pelo político ao senador Flávio Bolsonaro, envolvendo o relacionamento deste com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso recentemente.
Segundo informações obtidas pelo g1, Zema tomou conhecimento do cancelamento pela imprensa, o que gerou desconforto. Em nota, o político afirmou ter grande apreço pelos catarinenses e que pretende retornar ao estado em breve.
O presidente do diretório do Novo em Santa Catarina, Kahlil Elias Assib Zattar, comunicou a decisão aos membros da legenda, ressaltando que, caso não haja uma reformulação significativa e rápida na equipe de comunicação de Zema, o diretório poderá se posicionar contra sua indicação como candidato à Presidência da República.
A medida ocorre em meio a um clima de insatisfação interna, com membros da alta cúpula do partido classificando a decisão como unilateral e expressando indignação, chegando a pedir a destituição de Kahlil.
O episódio tem origem nas críticas de Zema ao senador Flávio Bolsonaro, após a divulgação de conversas entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, dono do banco Master, que está preso. Em maio, Zema classificou como “imperdoável” o pedido de financiamento para o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Embora tenha posteriormente afirmado que o caso era uma “página virada”, o ex-governador voltou a criticar o senador, afirmando que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”.
Apesar das tensões, Zema indicou que a direita deve se unir em um possível segundo turno contra o PT, durante evento em São Paulo. Ele afirmou que sua posição sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro é pública e que já se pronunciou sobre o assunto.
O fundador do Novo, João Amoêdo, que foi expulso do partido após apoiar Lula em 2022, criticou a situação atual do partido, afirmando que o Novo perdeu governança e princípios, tornando-se uma legenda oportunista e alinhada ao bolsonarismo.
No fim de semana, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio Bolsonaro, sugeriu nas redes sociais um “rompimento geral” entre o PL e o Novo, em resposta às críticas de Zema ao senador.
A nota oficial do diretório do Novo em Santa Catarina destaca a necessidade de união da direita para construir uma alternativa forte contra o PT em 2026, enfatizando que o momento exige convergência e foco em temas como geração de empregos, segurança e crescimento econômico. O texto reafirma respeito à trajetória de Zema, mas justifica a decisão como uma avaliação política para fortalecer a unidade do campo conservador.
Contexto
O partido Novo, fundado em 2011, tem buscado consolidar sua presença no cenário político brasileiro com uma postura liberal e foco em gestão pública eficiente. No entanto, a aproximação com o campo conservador e bolsonarista tem gerado divisões internas. Romeu Zema, que ganhou destaque como governador de Minas Gerais, é um dos principais nomes do partido para a disputa presidencial em 2026. As recentes críticas de Zema a Flávio Bolsonaro e a repercussão negativa entre aliados revelam os desafios do Novo em manter coesão interna e alianças estratégicas no atual contexto político.