
Presidente visita Belo Horizonte e Divinópolis em meio a indefinições políticas e disputas internas para a eleição estadual
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta sexta-feira (19) em Minas Gerais, estado-chave para as eleições presidenciais, ainda sem um candidato oficial para o governo local, enquanto analisa possíveis nomes para fortalecer seu palanque na disputa de 2026.
Minas Gerais, com seus 16,7 milhões de eleitores, permanece como um dos principais colégios eleitorais do país e tem papel decisivo nas eleições presidenciais. Na manhã desta sexta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou as cidades de Belo Horizonte e Divinópolis, esta última considerada reduto do senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas para o governo estadual e mantém alinhamento político com o senador Flávio Bolsonaro (PL), opositor ao petista no Senado.
Durante o último ano, Lula apostou na candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para representar seu palanque em Minas Gerais. No entanto, após meses de indefinição, Pacheco anunciou que não disputará o governo e que pretende se afastar da vida pública, deixando o PT e seus aliados em busca de alternativas.
Com essa mudança, dois nomes vêm ganhando destaque como possíveis candidatos apoiados por Lula para o governo mineiro: Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, e Josué Gomes da Silva (PSB), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O presidente do PT, Edinho Silva, tem mantido diálogo com ambos os pré-candidatos.
Gabriel Azevedo tem se consolidado como uma opção promissora, especialmente por sua capacidade de atrair eleitores de diferentes espectros políticos e por sua juventude, embora seu apoio ainda gere resistência dentro do diretório estadual do PT. Além disso, o partido considera a possibilidade de lançar candidatura própria, com nomes como os deputados Reginaldo Lopes e Rogério Correia sendo testados em pesquisas internas. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que lidera as pesquisas para o Senado, também é cotada, mas prefere disputar uma vaga no Legislativo.
No campo da oposição, a situação também é complexa. O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades para consolidar seu palanque em Minas Gerais. O ex-governador Romeu Zema, do partido Novo, que foi aliado de Jair Bolsonaro em 2022, tem se posicionado como uma alternativa presidencial e mantém uma relação tensa com Flávio Bolsonaro, especialmente após críticas públicas relacionadas a investigações envolvendo o parlamentar.
Apesar das divergências, ambos se encontraram recentemente em Belo Horizonte, em um gesto de conciliação para fortalecer a união da direita contra o PT no segundo turno. O grupo político de Zema lançou o atual governador Mateus Simões (PSD) como candidato ao governo, enquanto o PL avalia lançar Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
Entretanto, o senador Cleitinho segue como favorito nas pesquisas para o governo estadual, e há esforços dentro do PL para formar uma chapa com Cleitinho como candidato a governador e Roscoe como vice, mas o cenário eleitoral em Minas Gerais permanece indefinido e sujeito a negociações nos próximos meses.
Contexto
Minas Gerais é tradicionalmente um estado decisivo nas eleições presidenciais brasileiras, com o ditado popular “Quem ganha em Minas, ganha no Brasil” refletindo sua importância. Nas eleições de 2026, o PT ainda não definiu seu palanque local após a desistência de Rodrigo Pacheco, enquanto a oposição enfrenta fragmentação entre aliados de Jair Bolsonaro e o atual governador Romeu Zema. A indefinição política no estado pode influenciar diretamente o resultado da disputa presidencial e estadual.