Política Nacional

Cubanos lideram pedidos de refúgio no Brasil em 2025, superando venezuelanos pela primeira vez

Solicitações de refúgio no Brasil atingem terceiro maior volume histórico, com destaque para o aumento expressivo de cubanos em meio a crises econômicas e políticas.

Solicitações de refúgio no Brasil atingem terceiro maior volume histórico, com destaque para o aumento expressivo de cubanos em meio a crises econômicas e políticas.

Pela primeira vez, os cubanos foram o grupo com maior número de pedidos de refúgio no Brasil em 2025, ultrapassando os venezuelanos que lideravam há anos. Os dados apontam um aumento de 10,9% nas solicitações em relação ao ano anterior, totalizando 75.599 pedidos, o terceiro maior volume desde o início da série histórica.

O cenário migratório no Brasil apresentou uma mudança significativa em 2025, quando os cubanos passaram a liderar os pedidos de refúgio, conforme revela o estudo Refúgio em Números 2026, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça. O levantamento, divulgado em 22 de junho, durante evento alusivo ao Dia Mundial do Refugiado, mostra que as solicitações aumentaram 10,9% em relação a 2024, chegando a 75.599 pedidos.

Entre os solicitantes, os cubanos foram responsáveis por 41.919 pedidos, o que representa 55,4% do total e um crescimento expressivo de 88,1% em comparação ao ano anterior. Esse aumento está relacionado à grave crise econômica que afeta Cuba, agravada por tensões políticas e medidas como o bloqueio ao petróleo imposto pelo governo dos Estados Unidos desde janeiro de 2026. Além disso, o país aprovou recentemente um pacote de reformas econômicas em meio a apagões frequentes.

Os venezuelanos, que tradicionalmente lideravam as solicitações, ficaram em segundo lugar, com 21.233 pedidos de refúgio. Na sequência, aparecem os colombianos, com 1.432 solicitações, seguidos por angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganeses (792).

A distribuição geográfica dos pedidos revela que 52,4% das decisões do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) ocorreram na região Norte do Brasil. Roraima concentrou o maior volume, com 16.166 solicitações (32% do total), seguida pelo Amapá (6.372, 12,6%) e Amazonas (2.445, 4,8%). A maior parte dos pedidos aprovados (94,7%) foi motivada por violação generalizada de direitos humanos, especialmente entre os venezuelanos.

No perfil dos solicitantes, 55,9% são homens, enquanto 44% são mulheres. A faixa etária predominante está entre 25 e 40 anos, com 26.911 pessoas. Contudo, entre os cubanos, a maioria dos requerentes tem mais de 60 anos, representando 67,8% do grupo.

O Conare, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, é responsável pela análise e decisão dos pedidos de refúgio no Brasil. O processo é simplificado para cidadãos de países reconhecidos pelo Brasil como vítimas de graves violações de direitos humanos, como Venezuela, Síria e Afeganistão.

Este aumento nos pedidos de refúgio ocorre após a retomada dos fluxos migratórios para o Brasil desde 2022, quando foram registrados 50.355 pedidos, seguidos por 58.628 em 2023 e 68.159 em 2024, superando o período de restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

Contexto

Desde 2018, o Brasil tem registrado um aumento significativo nos pedidos de refúgio, especialmente de venezuelanos devido à crise política e econômica na Venezuela. A pandemia de Covid-19 reduziu temporariamente esses fluxos, mas a partir de 2022 houve uma retomada gradual. Em 2025, o cenário mudou com a liderança dos cubanos, reflexo das dificuldades econômicas e políticas enfrentadas em Cuba, incluindo o bloqueio americano ao petróleo e reformas internas. O Conare, órgão responsável pela análise dos pedidos, tem adotado critérios que facilitam o reconhecimento de refugiados vindos de países com graves violações de direitos humanos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sair da versão mobile