
Auditoria da Controladoria-Geral da União busca esclarecer destino dos recursos públicos vinculados à produtora do longa
A Controladoria-Geral da União (CGU) iniciou uma auditoria para verificar se emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do filme ‘Dark Horse’, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram desviadas para a produção audiovisual, configurando possível desvio de finalidade.
A CGU está conduzindo uma análise detalhada sobre as emendas parlamentares destinadas a instituições controladas por Karina da Gama, produtora responsável pelo filme ‘Dark Horse’. O objetivo é apurar se os recursos públicos foram aplicados conforme previsto ou se, na prática, foram utilizados para financiar o longa-metragem que narra a vida de Jair Bolsonaro. A auditoria será encaminhada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator de uma investigação sobre a destinação dessas emendas. O procedimento busca esclarecer se os valores foram efetivamente direcionados para os projetos sociais indicados ou se houve desvio de finalidade, com repasse indireto para a produção cinematográfica.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade vinculada à produtora, negou qualquer irregularidade. Em manifestação enviada ao STF, Frias afirmou que os recursos foram aplicados em iniciativas de inclusão digital, letramento, empreendedorismo e esportes para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, ressaltando a legitimidade e o caráter público das ações financiadas. “Não há qualquer prova nos autos que comprove o desvio dos recursos para a produção do filme”, destacou a defesa do parlamentar. Além disso, Frias contestou as alegações baseadas na suposta associação entre pessoas jurídicas que compartilham endereço, classificando o argumento como insuficiente para fundamentar qualquer irregularidade.
Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo realiza uma investigação relacionada à suspeita de desvio de finalidade envolvendo contratos de fornecimento de wi-fi firmados entre a prefeitura de São Paulo e entidades ligadas a Karina da Gama. Em junho, as três empresas controladas por Karina foram alvo da operação “Wi-Fi”, que apura se recursos públicos destinados ao Instituto Conhecer Brasil foram utilizados de forma indevida para custear a produção do filme ‘Dark Horse’, cujo orçamento estimado varia entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.
A decisão judicial que autorizou as buscas aponta indícios de confusão patrimonial e desvio de finalidade, destacando a necessidade de aprofundar as investigações para verificar se houve coincidência entre o recebimento dos recursos públicos e o início da produção do longa. A apuração busca confirmar se os valores públicos foram usados de maneira indireta para financiar a obra audiovisual, o que configuraria irregularidade grave.
Contexto
O filme ‘Dark Horse’, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem gerado controvérsias após suspeitas de que recursos públicos oriundos de emendas parlamentares e contratos municipais teriam sido utilizados para financiar sua produção. A Controladoria-Geral da União e a Polícia Civil de São Paulo conduzem investigações para esclarecer a real destinação dos valores repassados a entidades ligadas à produtora do longa. O caso está sob análise do Supremo Tribunal Federal, com o ministro Flávio Dino responsável pelo acompanhamento da apuração.