
Pré-candidato à Presidência destaca papel feminino na política e reforça combate ao feminicídio em evento do Women Invest
Durante evento em São Paulo, o pré-candidato à Presidência e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ressaltou a importância da participação feminina na política como ferramenta para o combate à corrupção e defendeu políticas de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.
Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, participou nesta terça-feira (7) de um evento promovido pelo Women Invest, focado no mercado financeiro feminino, em São Paulo. Na ocasião, ele enfatizou que o aumento da participação das mulheres na política pode contribuir significativamente para o enfrentamento da corrupção no país. Zema citou o caso Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, para ilustrar seu argumento, afirmando não se lembrar da presença de mulheres envolvidas nas investigações. “Pelo que me recordo, só homens estiveram envolvidos”, disse. O ex-governador também destacou dados da população carcerária, apontando que 95% dos presos são homens, enquanto apenas 5% a 6% são mulheres, o que, segundo ele, indica que as mulheres cometem menos delitos. O caso Banco Master envolve suspeitas de fraudes financeiras e pagamentos indevidos, com nomes como o banqueiro Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira, Jaques Wagner, entre outros, sendo citados nas investigações recentes. A declaração de Zema ocorre poucos dias após ele ser alvo de críticas por comentários sobre beneficiários do Bolsa Família, nos quais sugeriu que homens deveriam cumprir regras mais rígidas para receber o benefício, enquanto as mulheres teriam atribuições domésticas diferenciadas. Questionado sobre o tema no evento, Zema reforçou a visão de que as mulheres possuem uma preocupação maior com o futuro, atribuindo isso à maternidade e ao cuidado com os filhos. “A participação feminina na política tornaria o ambiente mais nobre e com uma visão de longo prazo”, afirmou. Além disso, o pré-candidato defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica. Ele destacou iniciativas de Minas Gerais que promovem a autonomia financeira dessas mulheres e ampliam delegacias especializadas com atendimento feminino. “Dar autonomia às mulheres que sofreram violência é fundamental, pois muitas não possuem renda própria”, ressaltou. Zema também se posicionou a favor do endurecimento das penas para feminicídio, classificando o crime como um problema grave no Brasil e no mundo. Citou que, durante sua gestão em Minas Gerais, houve redução nos casos de feminicídio e que defende a aplicação de agravantes para esse tipo de crime. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 indicam que, em Minas Gerais, 47% dos homicídios dolosos de mulheres foram caracterizados como feminicídio em 2024, uma queda em relação aos 56,9% registrados em 2023. No país, foram contabilizados 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde a criação da Lei do Feminicídio em 2015. A legislação foi ampliada em outubro de 2024, estabelecendo penas de 20 a 40 anos de prisão para esse crime. O evento em São Paulo reuniu mulheres do mercado financeiro e proporcionou um espaço para debates sobre a inserção feminina em setores tradicionalmente dominados por homens, além de abordar temas sociais relevantes para a igualdade de gênero.
Contexto
A discussão sobre a participação feminina na política e no combate à corrupção ganha destaque em um cenário nacional marcado por desafios na segurança pública e na igualdade de gênero. O caso Banco Master, investigado pela Polícia Federal, é um exemplo recente de operações que buscam desarticular esquemas de fraudes financeiras no Brasil. Paralelamente, o debate sobre violência doméstica e feminicídio permanece urgente, com dados alarmantes que motivam a criação e o aprimoramento de políticas públicas. Romeu Zema, ao posicionar-se favoravelmente à ampliação da presença feminina na política e ao endurecimento das penas para crimes contra mulheres, insere-se nesse contexto, buscando apresentar propostas alinhadas a demandas sociais contemporâneas, enquanto se prepara para a corrida presidencial de 2026.