
Senador e pré-candidato à Presidência critica atuação da Polícia Federal e reafirma inocência de Valdemar Costa Neto em investigação sobre emendas parlamentares.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, manifestou apoio ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que bloqueou R$ 119,2 milhões em bens do dirigente partidário, investigado por suposto desvio de recursos públicos em emendas parlamentares.
Nesta sexta-feira (10), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), em meio a uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura a indicação irregular de emendas parlamentares. Valdemar, ex-deputado federal, é suspeito de controlar a destinação dessas emendas na Câmara dos Deputados com auxílio de servidores da Casa Legislativa.
Em resposta à decisão judicial, Flávio Bolsonaro utilizou suas redes sociais para criticar a atuação da Polícia Federal, classificando-a como seletiva e direcionada a adversários políticos do governo atual. O senador afirmou que Valdemar Costa Neto atuou dentro da legalidade como presidente do maior partido do país, ressaltando que é comum a interlocução política com deputados federais, especialmente os do PL.
Flávio Bolsonaro também apontou que a PF teria mobilizado recursos para investigar adversários do presidente Lula, enquanto, segundo ele, faltam condições para apurar denúncias contra o filho do chefe do Executivo, Luiz Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha. “Essa perseguição precisa parar”, declarou o senador.
A investigação da Polícia Federal tem como base diálogos encontrados no celular de uma ex-servidora da Câmara dos Deputados, que indicariam que Valdemar Costa Neto decidia os valores das emendas, os municípios beneficiados e alterava os destinos dos recursos. Segundo a PF, as indicações eram organizadas em planilhas e encaminhadas aos ministérios responsáveis, utilizando nomes de deputados federais como supostos solicitantes, sem que estes realmente tivessem feito os pedidos.
Do montante de R$ 119 milhões identificado, pelo menos 21 emendas já foram empenhadas ou pagas pelos órgãos públicos, conforme a apuração. O ministro Flávio Dino atendeu parcialmente aos pedidos da Polícia Federal, autorizando o bloqueio dos bens e a suspensão das emendas indicadas por Valdemar, mas não concedeu outras medidas como busca e apreensão e quebra de sigilo telefônico.
Em nota enviada à imprensa, a defesa de Valdemar Costa Neto negou qualquer irregularidade e afirmou que a indicação de emendas é uma atribuição do líder do partido na Câmara, não do presidente nacional do PL. Os advogados classificaram a decisão do ministro Flávio Dino como baseada em premissas frágeis e uma criminalização indevida da atividade político-partidária.
Valdemar Costa Neto também se manifestou, negando ter feito indicações diretas de emendas e reafirmando que suas ações sempre estiveram dentro da legalidade. A investigação segue em andamento, com o STF acompanhando os desdobramentos do caso.
Contexto
Valdemar Costa Neto, presidente do PL e ex-deputado federal, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura a suposta indicação irregular de emendas parlamentares na Câmara dos Deputados. O caso ganhou repercussão após o ministro do STF Flávio Dino determinar o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens ligados a Valdemar. A investigação baseia-se em diálogos e documentos obtidos pela PF que indicam manipulação na destinação dos recursos, levantando suspeitas de desvio de verbas públicas. A defesa do dirigente partidário nega as acusações, alegando que as medidas judiciais criminalizam a atividade política. O episódio ocorre em um momento de tensão política, com Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência, defendendo publicamente Valdemar e criticando a atuação da Polícia Federal.