
Prazo para decisão americana termina nesta quarta-feira, enquanto diplomacia brasileira trabalha para reduzir impactos e preservar setores estratégicos.
Nesta quarta-feira (15), os Estados Unidos devem anunciar se aplicarão novas tarifas sobre produtos brasileiros, uma medida que preocupa o governo Lula e o setor empresarial. A equipe brasileira aposta em um período para implementação gradual e uma lista ampliada de exceções para mitigar os efeitos no comércio bilateral.
O governo brasileiro está em alerta com o fim do prazo para que os Estados Unidos definam a aplicação de novas tarifas sobre produtos do Brasil, previsto para esta quarta-feira (15). A expectativa é que, mesmo com a confirmação das taxas, o governo americano estabeleça um cronograma para a implementação e amplie a lista de exceções, evitando impactos significativos no mercado norte-americano.
Desde o início de junho, quando o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) concluiu uma investigação apontando práticas brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio bilateral, incluindo questões como desmatamento ilegal e pirataria, o governo brasileiro intensificou as negociações. Na sequência, os EUA propuseram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e, no dia seguinte, anunciaram uma sobretaxa de 12,5% para 60 países, entre eles o Brasil, devido a falhas no combate ao trabalho forçado.
Na terça-feira (13), representantes dos dois países se reuniram pela quinta vez para discutir o tema. Participaram equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Assessoria Especial da Presidência da República e o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Durante o encontro, o governo brasileiro reafirmou que considera as tarifas “injustas”, enquanto Greer indicou que ainda há distância para um acordo.
O histórico recente mostra que, em 2025, o então presidente dos EUA, Donald Trump, impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor uma semana após a assinatura do decreto. Na ocasião, Trump justificou a medida citando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou o episódio como “uma vergonha internacional”. Lula respondeu que as tarifas seriam enfrentadas conforme a legislação brasileira de reciprocidade.
O governo brasileiro trabalha para evitar que as novas tarifas entrem em vigor, especialmente em setores considerados estratégicos, como o Pix e o etanol, que são tratados como pontos inegociáveis. Empresários americanos que dependem das importações brasileiras têm pressionado Washington para excluir determinados produtos da lista de sobretaxas, o que pode resultar em um aumento das exceções caso as tarifas sejam confirmadas.
O MRE identificou 43 empresas e associações comerciais dos EUA que solicitaram a exclusão de produtos brasileiros da taxação, argumentando a ausência de substitutos no mercado doméstico. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a aplicação das tarifas afetaria cerca de 4,2 mil produtos exportados ao mercado americano, totalizando aproximadamente US$ 15 bilhões.
Caso a decisão seja confirmada, o governo brasileiro deve manifestar oficialmente sua insatisfação, seguindo a linha adotada desde o início da disputa, ressaltando que a estrutura tarifária brasileira já favorece as exportações norte-americanas. Além disso, as equipes técnicas avaliarão a decisão para definir os próximos passos, que podem incluir a continuidade das negociações ou a ativação da Lei de Reciprocidade.
A Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso em abril de 2025 e regulamentada pelo presidente Lula em julho do mesmo ano, autoriza o Brasil a retaliar países que impõem barreiras comerciais ao país. A diplomacia brasileira acredita que, neste momento, o presidente Lula não deve buscar contato direto com o governo americano para negociar alternativas, preferindo aguardar o desdobramento da situação.
Contexto
Desde 2025, as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos têm sido marcadas por tensões devido à imposição de tarifas por parte dos EUA. A investigação do USTR e as acusações de práticas comerciais desleais por parte do Brasil, incluindo questões ambientais e trabalhistas, levaram à aplicação de sobretaxas que impactam milhares de produtos brasileiros exportados. O governo brasileiro tem utilizado a Lei de Reciprocidade para responder a essas medidas e busca evitar que novas tarifas agravem a situação.