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Política Nacional

TCE-RJ investiga aporte de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais, alvo da operação da PF

Investimento feito na gestão do ex-governador Cláudio Castro será investigado pelo TCE-RJ após ação da PF contra o banco

TCE-RJ investiga aporte de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais, alvo da operação da PF - aporte da Cedae no Banco Digimais

TCE-RJ investiga aporte de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais, alvo da operação da PF - aporte da Cedae no Banco Digimais

Investimento feito na gestão do ex-governador Cláudio Castro será investigado pelo TCE-RJ após ação da PF contra o banco

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) iniciou uma investigação sobre o aporte de R$ 90 milhões realizado pela Cedae no Banco Digimais, instituição que recentemente foi alvo de uma operação da Polícia Federal. O investimento ocorreu durante a administração do ex-governador Cláudio Castro (PL) e levanta suspeitas sobre a segurança e legalidade da aplicação.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) deu início a um processo para apurar o investimento de R$ 90 milhões realizado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) no Banco Digimais. A instituição financeira foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na terça-feira, 23 de junho de 2026, que investiga possíveis irregularidades e manipulação contábil para mascarar a saúde financeira do banco.

O aporte financeiro ocorreu durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL). Além da Cedae, outro órgão estadual, o RioPrevidência, também realizou aplicações em bancos considerados de risco, como o Banco Master. O conselheiro do TCE-RJ, José Gomes Graciosa, solicitou em novembro de 2025 a abertura de uma inspeção especial para analisar a aplicação feita pela Cedae. Atualmente, o processo está sob a presidência do Tribunal e em fase de coleta de documentos.

Apesar da privatização do serviço de água e esgoto no Rio de Janeiro, a Cedae permanece responsável pela captação e tratamento da água, mantendo vínculo direto com o governo estadual. No mercado financeiro, já havia conhecimento sobre o risco de insolvência do Banco Digimais, que apresentava situação similar à do Banco Master. A instituição atraía investidores oferecendo taxas de retorno elevadas, o que despertou desconfiança e motivou a investigação da PF.

O investimento foi autorizado por Antônio Carlos dos Santos, então diretor financeiro da Cedae e aliado político do ex-governador Cláudio Castro. Em depoimento, Antônio Carlos confirmou o aporte de R$ 90 milhões, realizado por meio de um investimento denominado DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial), que possui prazo definido para retorno do capital aplicado. Ele ressaltou que a operação fazia parte do plano de negócios da Cedae para obtenção de resultados financeiros e que o investimento era garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), eliminando o risco de perda.

Segundo Antônio Carlos, dos R$ 90 milhões investidos, R$ 50 milhões já foram devolvidos à Cedae durante sua gestão, e os R$ 40 milhões restantes permanecem cobertos pelo FGC. Ele também declarou não ter recebido alertas de órgãos de controle quanto a riscos relacionados à aplicação, mesmo com o conhecimento do cenário delicado do Banco Digimais.

Em nota, a Cedae informou que a atual administração revisou a Política de Aplicações Financeiras, aprovada pelo Conselho de Administração em 19 de maio de 2026. A companhia revelou que ainda mantém R$ 17 milhões investidos no Banco Digimais, com vencimento previsto para 24 de junho, e que esses valores serão transferidos para bancos classificados no segmento S1 pelo Banco Central, que reúne as principais instituições financeiras do país, consideradas de menor risco para investidores.

Contexto

Nos últimos anos, órgãos públicos e fundos de previdência estaduais no Rio de Janeiro têm realizado investimentos em instituições financeiras consideradas de maior risco, como o Banco Digimais e o Banco Master. Essas operações têm sido alvo de investigações devido a suspeitas de manipulação contábil e risco de insolvência. A Cedae, mesmo após a privatização do serviço de água e esgoto, mantém papel estratégico na captação e tratamento da água, o que torna seus investimentos um tema sensível para a administração pública e o controle externo. A operação da Polícia Federal em junho de 2026 intensificou o escrutínio sobre essas aplicações financeiras.

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