
Ex-AGU rejeitado para o STF denuncia manobra política e pode assumir Ministério da Justiça com comando da Polícia Federal.
A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado provocou forte reação no governo federal. O ex-advogado-geral da União afirmou a aliados que sua derrota foi resultado de uma articulação política envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Nos bastidores, integrantes do governo já adotam postura de enfrentamento direto.
Na noite de 29 de abril, o Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para a vaga deixada por Luis Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. A votação terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, resultado que surpreendeu o Planalto e aliados do ex-advogado-geral da União. Messias, que foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a derrota como um “golpe” articulado por Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, além de citar o ministro Flávio Dino como participante da operação nos bastidores. Segundo relatos obtidos, Messias acredita que a rejeição não foi um resultado circunstancial, mas fruto de uma estratégia coordenada para impedir sua nomeação. Essa percepção marca um momento de tensão inédita na relação entre o governo e o Supremo, com interlocutores do Planalto afirmando que “agora é guerra”. A derrota de Messias também está sendo interpretada como um movimento que fortalece a aliança entre Flávio Bolsonaro, Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes, reforçando a narrativa de um “sistema” opositor ao governo. Paralelamente, há discussões internas sobre a possibilidade de Messias assumir o Ministério da Justiça, onde teria controle político sobre a Polícia Federal. Essa movimentação ocorre mesmo após a insatisfação do Planalto com a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em um jantar na véspera da sabatina que culminou na rejeição de Messias. Apesar do revés, Messias declarou a seus aliados que não pretende recuar e que buscará reagir com o apoio do presidente Lula, sinalizando uma escalada no confronto político-institucional. O episódio evidencia uma disputa intensa entre os poderes e pode redefinir as estratégias políticas do governo para os próximos meses.
Contexto
A indicação de Jorge Messias ao STF foi uma das primeiras feitas pelo presidente Lula para a Corte, visando preencher a vaga deixada por Luis Roberto Barroso em outubro de 2023. A rejeição pelo Senado representa um revés significativo para o Planalto, que já enfrenta desafios em sua relação com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. A articulação política envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, reflete a complexidade das negociações e disputas de poder no cenário político brasileiro atual. A possibilidade de Messias assumir o Ministério da Justiça e comandar a Polícia Federal indica uma tentativa do governo de manter influência em órgãos estratégicos, mesmo diante da derrota no Senado.