Ministro Nunes Marques rejeita revisões de pena de condenados pelo 8 de janeiro, incluindo Bolsonaro
Relator do pedido para anular condenação de Bolsonaro, ministro segue maioria do STF contra revisões criminais dos envolvidos nos ataques de 2023.
Relator do pedido para anular condenação de Bolsonaro, ministro segue maioria do STF contra revisões criminais dos envolvidos nos ataques de 2023.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques tem acompanhado a maioria da corte na rejeição de pedidos de revisão criminal apresentados por condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo processo ele também relatoria.
Desde o início do ano, o STF recebeu 18 pedidos de revisão criminal relacionados às condenações de pessoas envolvidas nos atos de vandalismo e ataques às sedes dos Três Poderes ocorridos em 8 de janeiro de 2023. Desses, cinco já foram analisados no plenário virtual da corte, com três pedidos rejeitados e outros dois com maioria formada para serem recusados. O ministro Nunes Marques, responsável pelo pedido de anulação da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem acompanhado a maioria dos ministros em decisões contrárias às revisões solicitadas. Em sua avaliação, os pedidos não apresentaram elementos novos suficientes ou tentaram reabrir discussões já decididas, o que não é permitido pelo instrumento da revisão criminal. Em novembro de 2023, Nunes Marques votou inicialmente para manter a condenação de Bolsonaro, mas após pedido de vista, alterou seu posicionamento para acompanhar a divergência aberta pelo ministro Luiz Fux, que defende revisão em casos de crimes graves, como tentativa de golpe e abolição violenta do estado democrático de direito. Apesar disso, manteve a punição relacionada ao crime de deterioração do patrimônio tombado, com pena de 1 ano e 3 meses de prisão. Sobre o pedido da defesa de Bolsonaro, o ministro concedeu prazo de 20 dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deve defender a condenação de 27 anos e três meses imposta pela Primeira Turma do STF. O prazo foi ampliado devido à complexidade do caso, que envolve um ex-presidente da República. A defesa do ex-presidente argumenta que o julgamento deveria ter ocorrido no plenário do Supremo e não na 1ª Turma, além de questionar a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, e alegar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Também sustentam que os atos atribuídos a Bolsonaro poderiam ser considerados apenas preparatórios e que não há indícios de seu conhecimento sobre os fatos que levaram à condenação. A revisão criminal é um instrumento jurídico excepcional que permite a reavaliação de sentenças definitivas quando há novos elementos que possam demonstrar erro judiciário, como provas falsas ou contrariedade à lei penal. O plenário do STF, atualmente com dez ministros, é responsável por decidir se o acusado será absolvido, se a classificação do crime será alterada, se a pena será modificada ou se o processo será anulado. Importante destacar que a revisão criminal não permite aumento da pena. No caso de Bolsonaro, ele foi condenado por liderar uma organização criminosa que atuou para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.
Contexto
Os ataques de 8 de janeiro de 2023 foram atos de vandalismo e violência contra as sedes dos Três Poderes no Brasil, envolvendo grupos que contestavam o resultado das eleições presidenciais de 2022. Diversos participantes foram condenados por crimes relacionados a esses eventos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão. Desde então, vários pedidos de revisão criminal foram apresentados ao STF, buscando anular ou modificar as condenações. O ministro Nunes Marques, que é relator do pedido de Bolsonaro, tem seguido a maioria da corte ao rejeitar esses pedidos, fundamentando-se na ausência de novos elementos e na necessidade de respeitar decisões já tomadas pelo tribunal.