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Política Nacional

PF investiga liberação de bagagens sem raio-X em voo com Hugo Motta e Ciro Nogueira

Anotação manuscrita revela que auditor da Receita liberou bagagens sem inspeção em voo partindo de paraíso fiscal

PF investiga liberação de bagagens sem raio-X em voo com Hugo Motta e Ciro Nogueira

PF investiga liberação de bagagens sem raio-X em voo com Hugo Motta e Ciro Nogueira

Anotação manuscrita revela que auditor da Receita liberou bagagens sem inspeção em voo partindo de paraíso fiscal

Uma investigação da Polícia Federal está em curso para apurar a liberação de bagagens sem inspeção por raio-X no desembarque de um voo que transportou o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira, ocorrido em 20 de abril de 2025 no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP).

Um registro manuscrito no livro de ocorrências dos Agentes de Proteção da Aviação Civil (APACs) do Aeroporto Catarina, em São Roque, aponta que o auditor fiscal da Receita Federal Marco Antônio Canella autorizou a liberação de malas e bolsas sem a fiscalização padrão no desembarque do voo PP-OIG, ocorrido em 20 de abril de 2025. O documento integra o inquérito da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades no procedimento. Segundo o relato do agente, Canella permitiu que bagagens contendo eletrônicos e garrafas fossem liberadas sem passar pelo raio-X, incluindo pertences dos tripulantes. A aeronave envolvida pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, que ganhou destaque nacional durante a CPI das Bets no Senado, onde negou ligação com a plataforma de apostas online Jogo do Tigrinho, alvo da comissão. O voo PP-OIG partiu da ilha caribenha de São Martinho, considerada paraíso fiscal pela Receita Federal desde 2016. A lista oficial de passageiros, obtida pela PF junto ao aeroporto, confirma a presença dos parlamentares Hugo Motta (presidente da Câmara), Ciro Nogueira (senador), além dos deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões, e do empresário Fernando Oliveira Lima. A Polícia Federal investiga os crimes de prevaricação e facilitação de contrabando relacionados à liberação das bagagens sem inspeção. Em abril de 2026, o inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido à participação de parlamentares com foro privilegiado. O ministro Alexandre de Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o caso. O piloto José Jorge de Oliveira Júnior, ouvido pela reportagem, afirmou não recordar o episódio, mas garantiu que segue procedimentos padrão no desembarque, ressaltando que cada passageiro desembarca com seus próprios pertences e que cada piloto é responsável apenas pelos itens que transporta. O auditor fiscal Marco Antônio Canella não se manifestou até o momento. O presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou que cumpriu todos os protocolos e aguarda a manifestação da PGR. O senador Ciro Nogueira não se pronunciou, assim como os deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões, e os demais envolvidos não foram localizados para comentar o caso.

Contexto

Desde 2016, a ilha de São Martinho é considerada paraíso fiscal pela Receita Federal brasileira, o que torna o controle aduaneiro mais rigoroso em voos provenientes da região. A liberação de bagagens sem inspeção em voos com autoridades públicas levanta suspeitas de irregularidades e possíveis crimes como prevaricação e facilitação de contrabando. A presença de parlamentares com foro privilegiado no voo fez com que a investigação fosse remetida ao Supremo Tribunal Federal, que acompanha o caso com atenção e solicitou parecer da Procuradoria-Geral da República para definir os próximos passos.

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