
Presidente brasileiro destaca respeito mútuo e criação de grupo de trabalho para resolver impasse tarifário com os Estados Unidos.
Durante uma reunião de aproximadamente três horas na Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a Donald Trump que não busca conflito com os Estados Unidos, ressaltando a importância do diálogo e da cooperação para superar divergências comerciais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (8), em Brasília, que durante o encontro realizado na quinta-feira em Washington com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que não deseja uma “guerra” com o país norte-americano. O encontro, que durou cerca de três horas, abordou temas como tarifas comerciais e a exploração de terras raras.
Em evento para renovação de contratos de concessão de 14 distribuidoras de energia elétrica, Lula comentou que defendeu a revisão das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, classificando-as como um “equívoco”. Ele destacou que a balança comercial entre os dois países é favorável aos Estados Unidos, o que torna as tarifas injustificadas.
“Eu disse ao presidente Trump que não quero guerra com ele. Reconheço o poder militar dos EUA, mas quero discutir fatos e não conflitos. Estamos trabalhando seriamente para resolver as diferenças tarifárias”, afirmou Lula. O presidente brasileiro revelou que estabeleceu um prazo de 30 dias para que os ministérios da Indústria e Comércio dos dois países encontrem uma solução para os valores divergentes das tarifas.
Além disso, Lula mencionou a criação de um grupo de trabalho bilateral que deverá analisar as questões comerciais. Ele ressaltou que a continuidade das negociações poderá ocorrer por telefone, sem necessidade de novas viagens.
O presidente também destacou a disposição do Brasil em dialogar com os Estados Unidos sobre outros assuntos relevantes, incluindo regulação de big techs, plataformas digitais e combate ao crime organizado.
“Somos dois homens de 80 anos, e isso exige seriedade. Temos menos tempo pela frente e precisamos definir o que queremos fazer”, declarou Lula, enfatizando a importância do respeito mútuo para fortalecer a relação bilateral.
Na avaliação do presidente, a credibilidade internacional é conquistada por meio do respeito próprio e da postura firme nas negociações. “Ninguém respeita quem não se respeita. Estou tranquilo na relação com os EUA”, afirmou.
Lula também garantiu que o Brasil continuará a expandir suas relações comerciais não apenas com os Estados Unidos, mas também com a China e a Alemanha, sinalizando uma estratégia de diversificação e fortalecimento das parcerias internacionais.
Contexto
A reunião entre Lula e Trump ocorreu em um momento de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em relação às tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros. Desde março, a articulação para o encontro buscava retomar o diálogo e encontrar soluções para os entraves econômicos. A criação do grupo de trabalho bilateral representa um avanço nas negociações, com o objetivo de evitar conflitos e promover uma cooperação mais sólida entre as duas nações.