
Estratégia integrada prevê ações financeiras, reforço prisional, investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas em todo o Brasil
O governo federal anunciou em 12 de maio de 2026 o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, com investimento de R$ 1,06 bilhão para enfrentar facções criminosas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas e fortalecer a segurança nos presídios brasileiros.
Na última terça-feira (12), o governo federal lançou oficialmente o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, uma iniciativa nacional que visa intensificar o combate às facções criminosas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas e homicídios, além de reforçar a segurança do sistema prisional. O investimento previsto para 2026 é de R$ 1,06 bilhão, distribuído em quatro eixos principais, com o objetivo de integrar ações entre União, estados e municípios para desarticular a estrutura financeira, logística e armada das organizações criminosas.
Durante a cerimônia de lançamento, o vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou a importância de restringir o porte de armas exclusivamente às forças policiais, destacando que a política de flexibilização do armamento adotada anteriormente favoreceu o crime organizado. “Quem deve portar armas é a polícia, que é profissional. Arma é um perigo. A política anterior de liberar armas acabou nas mãos do crime organizado”, afirmou.
O programa está estruturado em quatro frentes: combate financeiro às facções, reforço da segurança em presídios, investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas e explosivos.
Do total de recursos, R$ 388,9 milhões serão destinados ao combate financeiro das organizações criminosas, com ações focadas na lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Entre as medidas, estão a criação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) nacional, fortalecimento das Ficcos estaduais, ampliação dos Comitês Integrados de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifras) e aumento dos leilões de bens apreendidos. O governo também investirá em tecnologias para extração de dados de dispositivos eletrônicos usados em investigações.
Para o sistema prisional, serão aplicados R$ 330,6 milhões, visando implantar padrão de segurança máxima em 138 unidades consideradas estratégicas. O pacote inclui aquisição de drones, scanners corporais, detectores de metais, bloqueadores de celulares, aparelhos de raio X, georradares, sistemas de áudio e vídeo, além de veículos. Está prevista a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP) para integrar informações do sistema prisional em todo o país, além de operações para retirar celulares, armas e drogas das penitenciárias, treinamento de agentes e padronização de protocolos de segurança.
No eixo de investigação de homicídios, o investimento será de R$ 201 milhões, com foco no fortalecimento das polícias científicas, modernização dos Institutos Médico-Legais (IMLs), ampliação da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos e integração do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). Serão distribuídos equipamentos como comparadores balísticos, equipamentos de DNA, freezers científicos, viaturas refrigeradas, mesas de necropsia, kits para coleta de material biológico e cromatógrafos.
Para combater o tráfico de armas e explosivos, o governo destinará R$ 145,2 milhões, com a criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas (Renarm), fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), operações integradas de fiscalização, reforço no rastreamento de armas e munições, além de cooperação técnica para identificar a origem dos armamentos. Os investimentos também contemplam viaturas blindadas e semiblindadas, drones, embarcações, rastreadores veiculares, equipamentos táticos, notebooks e computadores de alta performance, além de helicópteros locados para operações.
Além dos recursos diretos, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões destinada a estados, municípios e Distrito Federal para financiar a aquisição de equipamentos e infraestrutura na área de segurança pública, incluindo viaturas, drones, câmeras corporais, sistemas de videomonitoramento, scanners corporais, bloqueadores de celular, equipamentos periciais, sistemas de radiocomunicação, embarcações e reformas em presídios.
O programa busca, assim, promover uma atuação coordenada entre os diferentes níveis de governo para desmantelar as organizações criminosas e reduzir a violência associada ao crime organizado no país.
Contexto
O enfrentamento ao crime organizado no Brasil tem sido um desafio constante, com facções criminosas ampliando sua influência tanto dentro quanto fora dos presídios. Nos últimos anos, o governo federal tem buscado estratégias integradas para combater essas organizações, incluindo ações financeiras, reforço da segurança prisional e combate ao tráfico de armas. A iniciativa “Brasil Contra o Crime Organizado” representa o maior investimento federal direcionado a essa área em 2026, com foco em ações coordenadas entre União, estados e municípios para desarticular as estruturas criminosas e reduzir a violência no país.