
Pré-candidato à presidência detalha contexto das mensagens divulgadas envolvendo pedido de recursos para cinebiografia de Jair Bolsonaro
Em entrevista à Globonews nesta quinta-feira (14), o senador Flávio Bolsonaro comentou sobre a linguagem utilizada nas mensagens vazadas entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que expressões como “irmão” e “mermão” são parte do linguajar típico do Rio de Janeiro e não indicam uma relação íntima entre os dois.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, respondeu nesta quinta-feira (14) às repercussões das mensagens e áudios divulgados na quarta-feira (13), que revelam conversas entre ele e Daniel Vorcaro, banqueiro dono do Master. Nas trocas de mensagens, Flávio utiliza termos como “irmão”, “irmãozão” e “mermão” para se referir a Vorcaro. Questionado sobre o significado dessas expressões, o senador explicou que elas fazem parte do “linguajar carioca” e são usadas de forma coloquial, sem implicar em intimidade pessoal. “Irmão e irmãozinho não significa intimidade, é o meu linguajar, é meu modo de falar com as pessoas”, afirmou Flávio Bolsonaro. Ele ainda comparou o uso do termo com outras expressões regionais do Brasil, como “guri” no Rio Grande do Sul, “piá” no Paraná e “mano” em São Paulo, ressaltando que são formas comuns de cumprimento ou tratamento informal. O contexto das mensagens envolve um pedido de recursos financeiros para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. Segundo o site Intercept Brasil e confirmação da TV Globo, Daniel Vorcaro chegou a desembolsar cerca de R$ 61 milhões para financiar o projeto. Parte dos pagamentos foi realizada por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, vinculada ao banqueiro. Nas mensagens, Flávio demonstra preocupação com o andamento dos pagamentos e com o impacto que atrasos poderiam causar no filme. Em áudio enviado em 8 de setembro de 2024, ele reconhece o momento difícil enfrentado por Vorcaro, especialmente após a rejeição da compra do Master pelo BRB pelo Banco Central, ocorrida em 3 de setembro de 2024. “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador. As conversas também incluem mensagens de visualização única e ligações telefônicas, evidenciando a tentativa de manter o diálogo reservado. Em 16 de novembro, Flávio reforça seu compromisso com Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. O banqueiro responde com uma mensagem de visualização única, e o senador conclui com um “Amém”. A divulgação das mensagens reacendeu o debate sobre a relação entre políticos e financiadores privados, especialmente em campanhas e produções culturais ligadas a figuras públicas. Flávio Bolsonaro mantém que o uso das expressões é apenas uma característica da fala carioca e não deve ser interpretado como indicativo de uma relação mais próxima do que a profissional ou institucional.
Contexto
O episódio ganhou destaque após o site Intercept Brasil divulgar o áudio e mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, confirmados pela TV Globo. O conteúdo mostra o senador solicitando recursos para a produção da cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A compra do banco Master pelo BRB, ligada ao banqueiro, foi rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2024, o que gerou dificuldades financeiras para Vorcaro, tema presente nas conversas. A situação expôs a dinâmica entre financiadores e políticos, além de chamar atenção para o uso de linguagem informal em comunicações oficiais e privadas no meio político.