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Política Nacional

Investimento no filme sobre Bolsonaro oferecia cotas milionárias e promessa de visto nos EUA

Contrato do projeto envolvia Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo e incluía estratégias de captação de recursos com benefícios migratórios.

Investimento no filme sobre Bolsonaro oferecia cotas milionárias e promessa de visto nos EUA - investimento filme Bolsonaro

Investimento no filme sobre Bolsonaro oferecia cotas milionárias e promessa de visto nos EUA - investimento filme Bolsonaro

Contrato do projeto envolvia Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo e incluía estratégias de captação de recursos com benefícios migratórios.

O filme ‘Dark Horse’, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou um plano de investimento com cotas que chegavam a US$ 1,1 milhão, incluindo uma promessa inédita de facilitar o acesso a visto permanente nos Estados Unidos para investidores. As informações foram divulgadas pelo Intercept Brasil e confirmadas pela TV Globo nesta sexta-feira (15).

O projeto cinematográfico ‘Dark Horse’, focado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, estruturou um modelo de captação de recursos que chamou atenção pelo valor das cotas e benefícios oferecidos. O plano de investimento previa a venda de 40 cotas de US$ 500 mil, totalizando US$ 20 milhões, além de cinco cotas de US$ 1 milhão cada. A cota mais cara, avaliada em US$ 1,1 milhão, incluía um diferencial pouco comum no mercado audiovisual: a possibilidade de obtenção de visto de residência permanente nos Estados Unidos para o investidor.

De acordo com o Intercept Brasil, que teve acesso ao contrato, o pacote mais caro concedia ao investidor uma cadeira no conselho do filme, permitindo participação nas decisões da produção. O retorno financeiro previsto era de 20% sobre o valor investido, com o lucro excedente dividido igualmente entre investidores e produtores após o pagamento das obrigações.

O orçamento do filme projetava três cenários de receita global: US$ 45 milhões, US$ 70 milhões e US$ 100 milhões, o que representaria valores entre R$ 227 milhões e R$ 500 milhões na cotação atual.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) figurava como produtor-executivo do filme, conforme contrato assinado digitalmente em 30 de janeiro de 2024. Entre suas responsabilidades estavam a captação de recursos e o envolvimento em estratégias financeiras, incluindo a preparação de documentação para investidores e a busca por incentivos fiscais e patrocínios. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) também constava como produtor-executivo, e a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, era a produtora oficial.

Além disso, a reportagem revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso em Brasília sob acusação de liderar um esquema bilionário de fraudes, participou do financiamento do filme. Vorcaro teria efetuado pagamentos que chegaram a R$ 61 milhões. O site divulgou ainda áudios nos quais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, solicita e pressiona o banqueiro pelos repasses.

A Polícia Federal investiga se os recursos destinados ao filme foram usados efetivamente na produção ou se serviram para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro de 2023. Uma das linhas de apuração busca esclarecer se o dinheiro foi apenas uma justificativa para transferências financeiras ao deputado cassado.

Em resposta, Eduardo Bolsonaro afirmou em publicação nas redes sociais que seu status migratório nos Estados Unidos o impede de receber valores de fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro.

O caso levanta questionamentos sobre a combinação entre investimentos em produções culturais e benefícios migratórios, além da participação direta de figuras políticas no financiamento e produção de conteúdos que envolvem suas trajetórias pessoais e familiares.

Contexto

O filme ‘Dark Horse’ surgiu como um projeto para contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo membros da família Bolsonaro na produção e captação de recursos. A investigação sobre o financiamento do filme ganhou destaque após revelações sobre a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraudes financeiras, e a possível utilização dos recursos para fins pessoais. O caso está sob análise da Polícia Federal, que busca esclarecer a origem e destinação dos valores, além das implicações legais da oferta de benefícios migratórios atrelados a investimentos em produções audiovisuais.

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