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Política Nacional

STF determina plano para desocupação da Terra Indígena Cachoeira Seca no Pará

União deve criar comitê de governança e apresentar cronograma detalhado para proteger povos indígenas isolados e combater desmatamento na região.

STF determina plano para desocupação da Terra Indígena Cachoeira Seca no Pará

STF determina plano para desocupação da Terra Indígena Cachoeira Seca no Pará

União deve criar comitê de governança e apresentar cronograma detalhado para proteger povos indígenas isolados e combater desmatamento na região.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, ordenou que o governo federal elabore, em até 90 dias, um plano para a remoção dos ocupantes ilegais da Terra Indígena Cachoeira Seca, localizada no Pará, área que enfrenta grave desmatamento e invasões.

O ministro Edson Fachin, presidente do STF, determinou que a União apresente um plano detalhado para a desocupação da Terra Indígena Cachoeira Seca, situada na região do Xingu, no Pará. O prazo para entrega do documento é de 90 dias. A decisão visa conter o avanço do desmatamento, que já ultrapassa 74 mil hectares, e proteger os povos indígenas isolados e de recente contato na área, que é a segunda mais desmatada da Amazônia Legal.

Entre as exigências do plano estão a definição de um cronograma obrigatório para a retirada dos invasores, a indicação dos responsáveis por cada etapa e a previsão de indenização para ocupantes considerados de boa-fé, conforme avaliação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Além disso, o documento deve incluir ações coordenadas envolvendo Funai, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Polícia Federal, Força Nacional e Ministério Público Federal para a remoção dos ocupantes que não se enquadram como de boa-fé.

Fachin também solicitou a criação de um Comitê de Governança responsável por articular e monitorar as medidas de proteção territorial, regularização fundiária e atendimento à saúde dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (PIIRCs). Uma atenção especial deve ser dada ao povo Arara, que enfrenta riscos agravados pela demora na desintrusão e pela proximidade com grupos ainda isolados na região.

Após a homologação do plano pelo STF, o governo federal deverá apresentar relatórios semestrais detalhando o progresso das ações, os resultados obtidos, os obstáculos enfrentados e as medidas corretivas adotadas.

Além disso, Fachin determinou que, em até 15 dias, o governo entregue um cronograma atualizado para a criação do Parque Nacional Tanaru, também no Pará.

A Terra Indígena Cachoeira Seca foi homologada em 5 de abril de 2016, abrangendo uma área de aproximadamente 733,6 mil hectares. Na ocasião, a Funai identificou 1.174 ocupações vinculadas a 1.128 interessados. Apesar do levantamento das benfeitorias ter sido concluído e encaminhado para análise, não há comprovação de que os ocupantes considerados de boa-fé tenham sido indenizados, mesmo após quase dez anos desde a homologação.

Fachin ressaltou que a retirada dos invasores já constava como condicionante da Licença Prévia da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, emitida em 2010, mas permanece sem execução. O ministro destacou ainda que a situação se agravou nos últimos anos, com novas invasões, desmatamento crescente, abertura de cerca de 586 quilômetros de ramais ilegais desde 2018, além da introdução de rebanhos bovinos e parcelamentos irregulares na área.

Uma nota técnica de entidades ligadas à causa indígena, citada na decisão, alerta para uma emergência em saúde mental do povo Arara, atribuída à demora na resolução dos conflitos fundiários e ambientais e à pressão contínua sobre o território. Fachin enfatizou que para povos de recente contato, cada atraso na desintrusão amplia o sofrimento coletivo e aumenta os riscos à vida, saúde e cultura desses grupos.

Contexto

A Terra Indígena Cachoeira Seca, homologada em 2016, enfrenta desafios históricos relacionados à invasão de terras, desmatamento e conflitos fundiários. A área é vital para a preservação dos povos indígenas isolados e de recente contato, especialmente o povo Arara. A demora na retirada dos ocupantes ilegais e na indenização dos considerados de boa-fé tem agravado a situação, resultando em impactos ambientais e sociais significativos. A decisão do STF representa um passo importante para a proteção desses territórios e povos, alinhando-se a condicionantes ambientais de grandes empreendimentos como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

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