
Ministério Público do Paraná revela esquema que utilizou distribuição de gasolina para garantir apoio eleitoral na cidade interiorana.
Uma investigação do Ministério Público do Paraná resultou na cassação de sete dos nove vereadores eleitos em Francisco Alves, interior do estado, após a descoberta de um esquema de compra de votos que envolveu a distribuição de mais de 2 mil litros de combustível durante a campanha eleitoral de 2024.
Em Francisco Alves, município localizado no interior do Paraná, próximo à fronteira com o Paraguai, a Justiça Eleitoral anulou os mandatos de sete dos nove vereadores eleitos nas eleições de 2024. A decisão decorre de uma investigação que revelou um esquema de compra de votos baseado na entrega de combustível a eleitores. A apuração foi conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), que identificou a coligação “Pra Frente Francisco Alves” como responsável pela utilização de uma rede econômica para assegurar a eleição de seus candidatos, substituindo o debate político por práticas ilegais. Segundo o promotor Filipe Rocha e Silva, o caso evidencia a substituição da democracia pelo poder econômico, comprometendo a integridade do processo eleitoral. O centro do esquema era um posto de combustíveis situado a aproximadamente 10 quilômetros do centro da cidade. Durante buscas autorizadas pela Justiça, realizadas um dia antes das eleições, foram apreendidos documentos, notas fiscais, anotações com nomes de candidatos e vales para retirada de cinco a dez litros de gasolina ou álcool. Somente em setembro de 2024, foram distribuídos cerca de 2.100 litros de combustível para eleitores, configurando uma prática que dificultava o deslocamento frequente dos beneficiários até o local, o que levantou suspeitas sobre a legitimidade das operações. Além das evidências físicas, a investigação recuperou áudios do celular de Maria Aparecida da Silva, conhecida como Cida, candidata da coligação, nos quais ela prometia material de campanha e combustível aos eleitores. Após a derrota nas urnas, Cida lamentou a falta de recursos para competir com quem estava comprando votos. Ao serem abordados pela imprensa, os vereadores envolvidos evitaram comentar as acusações. O vereador Devair Porto Santos, o “Cutuca”, fugiu da entrevista, enquanto o presidente da Câmara, vereador Cioni, também condenado, negou a prática e declarou ser contrário à compra de votos, embora reconheça que a corrupção eleitoral existe no cenário político. Atualmente, os recursos ainda não foram julgados, o que permite que os vereadores continuem exercendo seus mandatos até decisão final.
Contexto
A compra de votos é uma prática ilegal que compromete a democracia e a legitimidade das eleições. No Brasil, o Ministério Público e a Justiça Eleitoral têm intensificado as investigações para coibir esse tipo de crime, que pode envolver desde dinheiro até bens e serviços, como combustível. O caso de Francisco Alves reforça a necessidade de fiscalização rigorosa, especialmente em municípios pequenos onde o controle pode ser mais difícil. Desde 2016, as operações contra corrupção eleitoral aumentaram significativamente, refletindo o esforço das autoridades em preservar a integridade do processo eleitoral.