
Nova líder do governo no Senado busca fortalecer diálogo, mas cenário político segue marcado por divergências entre Executivo e presidente do Senado.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) foi escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para liderar o governo no Senado, em substituição a Jaques Wagner (PT-BA). Apesar da nomeação, a disputa política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), permanece e dificulta a condução das pautas prioritárias do Executivo no Congresso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou a senadora Teresa Leitão para assumir a liderança do governo no Senado, após Jaques Wagner deixar o cargo em meio à investigação da Polícia Federal na operação Compliance Zero. A escolha da parlamentar pernambucana, que não disputa reeleição e tem boa aceitação entre senadores de diferentes espectros, visa fortalecer a articulação política, especialmente para avançar propostas como a PEC do fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública, ambas paralisadas sob a presidência de Davi Alcolumbre.
Em sua primeira declaração como líder, Teresa enfatizou a importância de estreitar o diálogo com Alcolumbre e demais parlamentares para construir consensos em torno das pautas governistas. A senadora deve se reunir com Lula para alinhar as estratégias de atuação no Senado.
Apesar do otimismo da nova liderança, a crise entre o Executivo e o presidente do Senado permanece. Alcolumbre mantém o controle das pautas, adiando a tramitação da PEC da redução da jornada de trabalho e da PEC da Segurança, que já foi aprovada na Câmara, mas ainda não avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O presidente do Senado chegou a cancelar reuniões para discutir a tramitação dessas propostas, evidenciando a tensão política.
A ruptura entre Lula e Alcolumbre teve início após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal, o que agravou a fragilidade das lideranças governistas no Congresso. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo na Câmara, também enfrenta dificuldades, pois depende politicamente de Alcolumbre para sua reeleição e tem se afastado das articulações legislativas.
Enquanto isso, Alcolumbre segue comandando o Senado de forma independente, negociando diretamente com ministros do governo, como o da Defesa, José Múcio, e o da Fazenda, Dario Durigan, sem envolver a liderança do governo. A expectativa entre parlamentares é que o atual impasse permaneça até as eleições de outubro, sem sinais de reconciliação entre Lula e Alcolumbre no curto prazo.
Contexto
A nomeação de Teresa Leitão ocorre em um momento delicado para a relação entre o Executivo e o Legislativo no Senado. A crise política teve início após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF, que gerou um rompimento entre Lula e Davi Alcolumbre. Desde então, a articulação do governo no Senado tem sido dificultada, com pautas importantes paralisadas e lideranças fragilizadas. A escolha de Teresa, integrante da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) do PT, representa uma tentativa de moderação e aproximação, mas não altera o cenário de conflito institucional que deve se estender até as eleições gerais de 2026.