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Política Nacional

Sanções dos EUA a brasileiros ligados ao PCC geram preocupação no governo brasileiro

Medidas dos EUA contra brasileiros e empresas por suposta ligação com o PCC levantam alerta sobre efeitos secundários e necessidade de cooperação bilateral.

Sanções dos EUA a brasileiros ligados ao PCC geram preocupação no governo brasileiro

Sanções dos EUA a brasileiros ligados ao PCC geram preocupação no governo brasileiro

Medidas dos EUA contra brasileiros e empresas por suposta ligação com o PCC levantam alerta sobre efeitos secundários e necessidade de cooperação bilateral.

O Ministério da Justiça acompanha com atenção as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a dois brasileiros e três empresas, acusados de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O governo brasileiro manifesta preocupação com os possíveis impactos dessas medidas, especialmente sobre instituições financeiras nacionais e terceiros não envolvidos.

Nesta quarta-feira (1º), o governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra duas pessoas físicas brasileiras e três empresas sediadas no Brasil, sob suspeita de envolvimento em uma rede de lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os indivíduos sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. As empresas atingidas são Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda, além da portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.

De acordo com o comunicado oficial do Departamento do Tesouro dos EUA, todos os bens dos sancionados localizados nos Estados Unidos foram bloqueados e serão monitorados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Além disso, qualquer empresa que seja controlada direta ou indiretamente em 50% ou mais por essas pessoas também sofrerá bloqueios financeiros.

Maria Rosa Guimarães Loula, secretária nacional de Justiça (Senajus), afirmou que a decisão americana já era prevista como um risco após a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos EUA. Ela ressaltou que o governo brasileiro não apoia criminosos, mas teme que a exposição midiática das sanções possa causar efeitos colaterais em pessoas e instituições financeiras que não têm relação com o crime organizado.

“Não defendemos criminosos. O que tememos é que essa espetacularização gere efeitos secundários sobre pessoas que não têm ligação com o crime e sobre instituições financeiras brasileiras”, explicou Loula em entrevista ao g1.

A secretária também destacou que o avanço das investigações nos Estados Unidos foi possível graças à colaboração das autoridades brasileiras, mas defendeu um intercâmbio de informações mais amplo entre os países. “Não acreditamos em medidas unilaterais. Os Estados Unidos atuaram com base em informações e conceitos que saíram do Brasil. Se tivessem compartilhado mais informações conosco, poderíamos ajudá-los”, afirmou.

Como exemplo dos riscos que medidas isoladas podem trazer, Loula citou o caso do México, onde três instituições financeiras foram sancionadas pelos EUA em junho, o que restringiu seu acesso ao sistema financeiro americano.

Por sua vez, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira não possuem vínculo com o PCC, contrariando as alegações das autoridades americanas.

Segundo o governo dos EUA, Shimada teria liderado uma estrutura de lavagem de dinheiro a partir de São Paulo, em conjunto com integrantes do PCC na Flórida, movimentando mais de US$ 30 milhões por meio de criptomoedas relacionadas ao tráfico internacional de drogas.

Victor Shimada chegou a ser preso preventivamente no Brasil em dezembro de 2024, no âmbito das investigações sobre lavagem de dinheiro ligadas ao caso Corinthians. Em janeiro de 2025, ele esteve em prisão domiciliar por curto período e posteriormente foi liberado após pagamento de fiança. Recentemente, foi condenado pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo a cinco anos de reclusão em regime semiaberto pelo crime de lavagem de dinheiro, mas responde ao processo em liberdade, sem tornozeleira eletrônica e com proibição de deixar o país.

Relatório da Polícia Civil de São Paulo aponta que Shimada está envolvido em uma cadeia financeira que conecta sua empresa à Wave Intermediações e à UJ Football Talent, esta última mencionada em delação premiada como supostamente ligada a integrantes do PCC. Contudo, a investigação não o classifica como membro do PCC, apenas inserido em um fluxo financeiro relacionado a pessoas e empresas sob apuração.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, parente de Shimada, teria atuado como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, prestando serviços logísticos para as operações de lavagem, segundo o governo americano. Ela não possui antecedentes criminais nem responde a processos no Brasil.

O episódio reforça a necessidade de cooperação internacional eficaz para combater o crime organizado sem prejudicar instituições e indivíduos legítimos.

Contexto

Desde a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o governo brasileiro monitora os desdobramentos das sanções financeiras impostas a brasileiros e empresas suspeitas de ligação com essas facções. O caso atual envolve medidas adotadas em 1º de julho de 2026, que bloqueiam bens e restringem operações financeiras, suscitando debates sobre os impactos econômicos e jurídicos, além da importância do intercâmbio de informações entre Brasil e EUA para o enfrentamento do crime organizado.

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