
Alianças locais do PSD nos quatro maiores colégios eleitorais do país dificultam consolidação da candidatura presidencial de Ronaldo Caiado.
A aliança entre Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice na chapa presidencial, enfrenta obstáculos significativos. Nos estados com os maiores colégios eleitorais do Brasil — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia —, o PSD mantém apoios a outros candidatos, dificultando a unificação do partido em torno da candidatura de Caiado.
Na quarta-feira (1º), em Brasília, foi oficializada a candidatura de Gilberto Kassab, presidente do Partido Social Democrático (PSD), como vice na chapa presidencial liderada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A estratégia visa mobilizar o PSD, que detém a maior quantidade de prefeitos e vereadores no país, em prol da candidatura de Caiado. Contudo, a iniciativa enfrenta resistência nas principais regiões eleitorais do Brasil, onde o PSD mantém alianças locais com outros candidatos. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, com 31,2 milhões de eleitores, o PSD apoia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Kassab, que já foi secretário de Tarcísio, afirmou que a candidatura de Caiado não conta com o apoio do governador paulista, que declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Kassab ressaltou que, apesar da chapa nacional, o PSD paulista seguirá com Tarcísio para o governo e com Caiado para presidente, mesmo que este não seja o candidato do governador. Em Minas Gerais, com 16,7 milhões de eleitores, o atual governador e correligionário do PSD, Mateus Simões, candidato à reeleição, apoia o ex-governador Romeu Zema (Novo) para presidente. Houve especulações sobre uma possível aliança entre Caiado e Zema, que incluiria Zema como vice na chapa, mas a negociação não avançou. Kassab destacou a boa relação com Zema, mas reafirmou a preferência por uma chapa exclusivamente do PSD, mesmo sem o apoio local de Simões. No Rio de Janeiro, o PSD tem Eduardo Paes, ex-prefeito da capital, como candidato ao governo estadual. Paes mantém apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não à chapa Caiado-Kassab. Kassab declarou que a campanha de Caiado no estado está organizada e que respeitam os compromissos locais de Paes, que conta com o apoio do PSD na disputa estadual. Já na Bahia, com 11,8 milhões de eleitores, o PSD está totalmente alinhado com o PT, apoiando a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e a chapa petista ao Senado, formada por Rui Costa e Jaques Wagner. A aliança local foi articulada pelo senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia. Apesar disso, o líder do PSD na Câmara, Antônio Brito, participou do evento de lançamento da chapa Caiado-Kassab, demonstrando certa divisão interna. Essa fragmentação do PSD nos maiores colégios eleitorais do país evidencia os desafios para a consolidação da candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, mesmo com o ingresso de Kassab como vice. A estratégia nacional busca ampliar a base eleitoral, mas enfrenta barreiras nas articulações regionais, onde o PSD mantém compromissos com outras lideranças e candidatos.
Contexto
O PSD é um dos partidos com maior capilaridade política no Brasil, detendo o maior número de prefeitos e vereadores. Para as eleições presidenciais de 2026, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou Gilberto Kassab, presidente do PSD, como candidato a vice, buscando unificar o partido em torno da candidatura. No entanto, o PSD possui alianças regionais consolidadas com candidatos diversos, como o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o que gera um cenário complexo para a campanha nacional de Caiado. As divergências refletem a diversidade política interna do PSD e a importância estratégica dos quatro maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, que juntos concentram dezenas de milhões de eleitores.