
Encontros entre ministros e presidente do Senado indicam tentativa de diálogo pragmático para avançar pautas prioritárias antes das eleições
Em meio a uma derrota histórica no Senado com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, ministros do governo Lula buscaram nesta quarta-feira (6) uma aproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), visando restabelecer o diálogo entre os poderes.
Nesta quarta-feira (6), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recebeu em sua residência oficial dois ministros do governo Lula: o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. Segundo José Múcio, o encontro teve como pauta principal assuntos relacionados ao Ministério da Defesa, mas também representou um gesto de aproximação entre o Executivo e o Legislativo após a recente rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro José Múcio destacou que seu perfil é voltado para a pacificação e acredita que, apesar do momento tenso, o Senado e o governo federal devem encontrar um caminho de entendimento para o benefício do país. “A tendência é que o Senado e o governo se deem bem, para o bem do Brasil. Passada essa fase abrasiva, as questões vão voltar a encostar”, afirmou.
Apesar dos gestos de reaproximação, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartam, por enquanto, a possibilidade de um encontro direto entre Lula e Alcolumbre. Fontes próximas ao presidente do Senado afirmam que, embora receber os ministros já seja um sinal positivo, Alcolumbre só deverá conversar diretamente com Lula caso seja procurado pelo chefe do Executivo.
Dessa forma, a interlocução entre os dois poderes deve continuar sendo feita por meio de representantes, principalmente pelo ministro José Guimarães e pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Essa estratégia pragmática visa garantir a aprovação de pautas consideradas prioritárias antes das eleições, como o fim da escala 6×1 para policiais e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
A rejeição de Jorge Messias pelo Senado, ocorrida em 29 de abril, marcou um episódio inédito desde 1894, quando pela primeira vez os senadores recusaram a indicação de um presidente da República para o STF. Messias recebeu 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, em votação secreta. Para ser aprovado, ele precisava do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores, maioria absoluta.
Com a rejeição, a indicação foi arquivada, e o presidente Lula terá que enviar um novo nome para preencher a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. Conforme informações do blog da jornalista Ana Flor, Lula sinalizou a intenção de não deixar para o próximo governo a prerrogativa de indicar o novo ministro do STF, indicando que a escolha será feita ainda neste mandato.
Contexto
A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF representa um momento de tensão entre o Executivo e o Legislativo, algo não visto há mais de um século. O governo Lula, ciente da necessidade de manter o diálogo para avançar suas pautas no Congresso, tem buscado uma postura pragmática, utilizando interlocutores para negociar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A movimentação política ocorre em um cenário de proximidade das eleições, quando a aprovação de projetos prioritários torna-se ainda mais estratégica para o governo.