Política Nacional

Moraes suspende aplicação da Lei da Dosimetria e impacta reduções de pena do 8 de janeiro

Decisão do ministro do STF paralisa benefícios penais previstos na lei aprovada para condenados na trama golpista de 2023

Decisão do ministro do STF paralisa benefícios penais previstos na lei aprovada para condenados na trama golpista de 2023

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria, que permite a redução de penas para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, até que o plenário da corte decida sobre a constitucionalidade da norma.

Na última sexta-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal, suspendeu temporariamente a aplicação da chamada Lei da Dosimetria. A medida vale até que o plenário do STF julgue duas ações diretas de inconstitucionalidade que questionam a validade da lei, promulgada em 2025 para possibilitar a redução das penas impostas aos envolvidos nos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro de 2023.

Com a decisão, os condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão, deverão aguardar o posicionamento definitivo da Suprema Corte para solicitar e eventualmente obter benefícios penais previstos na legislação. Moraes já aplicou essa suspensão em pelo menos dez execuções penais relacionadas a pedidos de revisão fundamentados na Lei da Dosimetria.

O ministro fundamentou sua decisão na existência de ações que questionam a constitucionalidade da norma, ressaltando que a pendência do julgamento configura fato processual relevante que pode influenciar as decisões sobre a dosimetria das penas. Ele ressaltou a necessidade de segurança jurídica e determinou que as execuções penais sigam conforme os termos já transitados em julgado até o julgamento do STF.

Além de Bolsonaro, que teve pedido de revisão criminal protocolado pela defesa na sexta-feira (9) – embora não relacionado à Lei da Dosimetria –, outros condenados pelo episódio aguardam a definição do tribunal para recorrerem à redução de penas.

A Lei da Dosimetria foi promulgada pelo presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após o veto presidencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser derrubado pelo Congresso. A norma permite, entre outras medidas, que penas aplicadas a crimes cometidos no contexto dos ataques de 8 de janeiro não sejam necessariamente somadas, e possibilita a redução da pena para delitos praticados em contexto de multidão, além de alterar regras sobre progressão de regime previstas na Lei de Execução Penal.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a federação PSOL-Rede são as autoras das ações que contestam a lei. A ABI argumenta que a norma banaliza ataques à democracia, compromete o ordenamento jurídico e desorganiza o sistema penal, enquanto a federação PSOL-Rede afirma que a lei enfraquece seletivamente a tutela penal do Estado Democrático de Direito para beneficiar envolvidos nos ataques às instituições republicanas.

Em sua decisão, Moraes também solicitou informações à Presidência da República e ao Congresso Nacional, com prazo de cinco dias para resposta, além de requerer manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União (AGU) em até três dias.

A decisão gerou reações políticas. O líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou a suspensão da lei, afirmando que a medida representa a suspensão da vontade popular e defendeu a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar decisões monocráticas que suspendam leis aprovadas pelo Congresso. Marinho também defendeu uma reforma do Judiciário para 2027.

O caso segue em aberto, aguardando o julgamento do plenário do STF, que definirá se a Lei da Dosimetria está em conformidade com a Constituição Federal e poderá ser aplicada para reduzir as penas dos condenados pelo episódio do 8 de janeiro.

Contexto

Os ataques de 8 de janeiro de 2023 marcaram uma tentativa de golpe contra as instituições democráticas brasileiras, resultando em condenações severas para os envolvidos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2025, o Congresso aprovou a Lei da Dosimetria, que prevê a possibilidade de redução das penas desses condenados, mas a norma foi alvo de questionamentos judiciais que culminaram na suspensão de sua aplicação pelo ministro Alexandre de Moraes. O debate jurídico envolve a constitucionalidade da lei e seu impacto na segurança jurídica e no sistema penal brasileiro.

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