
Senador Flávio Bolsonaro e governistas defendem a comissão, mas presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, ainda não autorizou a criação do colegiado.
A polêmica envolvendo o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro reacende o debate no Congresso sobre a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostas fraudes bilionárias. Apesar do amplo apoio, a instalação da comissão depende da decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que ainda resiste ao pedido.
A divulgação de mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se dirige ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reacendeu as discussões no Congresso Nacional sobre a necessidade de instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar irregularidades envolvendo a instituição financeira. No áudio, obtido pelo portal Intercept Brasil e confirmado por fontes da Polícia Federal e da TV Globo, Flávio Bolsonaro se refere a Vorcaro como “irmão” e cobra repasses de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai.
Daniel Vorcaro está preso em Brasília sob acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras que podem atingir R$ 12 bilhões, conforme investigações da Polícia Federal. O Banco Master é investigado por irregularidades, especialmente na venda de crédito consignado para aposentados e pensionistas, e suas conexões políticas estão no centro das apurações.
A criação da CPMI do Banco Master, que contava com 280 assinaturas entre deputados e senadores em requerimento protocolado em fevereiro, ainda não foi efetivada. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), optou por não ler o pedido na última sessão conjunta, criando um precedente controverso, já que o regimento prevê a instalação automática da comissão quando há assinaturas suficientes — 171 deputados e 27 senadores.
Parlamentares da base governista e da oposição criticam a decisão de Alcolumbre. Eles alegam que o presidente do Congresso teria fechado um acordo para derrubar vetos relacionados ao projeto da dosimetria penal, que pode reduzir a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, em troca de não instalar a CPMI.
Em março, deputados e senadores recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a criação da comissão, mas o pedido foi negado, reforçando que a decisão cabe exclusivamente ao Congresso Nacional.
Nesta quarta-feira (13), a pressão para a instalação da CPMI aumentou. Flávio Bolsonaro reafirmou a importância da comissão para separar “os bandidos dos inocentes”. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que apresentou questão de ordem para a instalação da CPMI, afirmou que a investigação deve ocorrer “doa a quem doer” e criticou a postura do presidente do Congresso.
O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), destacou que a oposição foi a principal força para reunir as assinaturas necessárias e acusou a base governista de tentar inverter a narrativa. Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) denunciou um “acordão” para enterrar a comissão e criticou a manobra para aprovar a dosimetria penal enquanto bloqueia a investigação.
O impasse sobre a criação da CPMI do Banco Master evidencia a tensão entre interesses políticos e a necessidade de transparência nas investigações de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
Contexto
O Banco Master está sob investigação por um esquema de fraudes financeiras que pode ultrapassar R$ 12 bilhões, envolvendo principalmente operações fraudulentas na venda de crédito consignado para aposentados e pensionistas. O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso em Brasília e é apontado como líder do esquema. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, que poderia aprofundar as investigações e esclarecer as ligações políticas, enfrenta resistência para ser instalada no Congresso Nacional, apesar do número suficiente de assinaturas para sua criação. A situação se agrava com a divulgação de áudios e mensagens que indicam relações próximas entre o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro, aumentando a pressão política para a investigação.