
Partido aposta em atuação agressiva nas redes sociais para disputar narrativa contra adversários políticos nas eleições presidenciais.
O PT adotou uma postura mais combativa nas redes sociais, intensificando sua estratégia digital para as eleições de 2026. A movimentação ganhou força após a divulgação de mensagens que mostram Flávio Bolsonaro solicitando recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu fortalecer sua atuação nas redes sociais, adotando uma estratégia de comunicação mais agressiva e profissionalizada para a disputa eleitoral de 2026. A decisão foi impulsionada pela divulgação, em 13 de maio de 2026, de mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, nas quais o senador teria solicitado dinheiro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo dirigentes do PT ouvidos pelo blog da jornalista Andréia Sadi, o partido está reorganizando sua comunicação para atuar com rapidez na produção de conteúdo em tempo real e para responder aos ataques de adversários. Minutos após a publicação das mensagens pelo site Intercept Brasil, o PT compartilhou um vídeo nas redes sociais que associava o caso a um versículo bíblico, ressaltando que “não há nada oculto que não venha a ser revelado”.
Além disso, o partido lançou conteúdos críticos contra Flávio Bolsonaro, relembrando o escândalo da rachadinha em 2019 e suas ligações com Fabrício Queiroz, e o acusando de tentar “vender” o Brasil aos Estados Unidos. Também foram alvos dessas publicações o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o pré-candidato à presidência Romeu Zema (Novo), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, e o próprio Jair Bolsonaro, principalmente por defenderem privatizações de estatais como Petrobras, Sabesp e Cedae.
Um dos vídeos produzidos pelo PT destaca ainda os problemas sociais enfrentados pela Argentina sob o governo de Javier Milei, aliado da direita brasileira, para criticar as propostas de seus adversários.
Essa nova ofensiva digital está sob o comando de Edinho Silva, presidente do PT desde agosto de 2025, e coordenada por Nicole Briones, jornalista responsável pela estratégia de mídias sociais do ex-presidente Lula durante a pandemia e com experiência recente na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Nicole tem a missão de preparar o partido para o que o PT chama internamente de “guerra eleitoral digital”.
A avaliação interna é que a eleição de 2026 será decidida majoritariamente no ambiente online, e que o PT precisa recuperar o atraso que teve em campanhas anteriores. Para isso, o partido planeja ampliar seu alcance, profissionalizar sua operação digital e atuar de forma mais incisiva na disputa pela narrativa política.
Nos bastidores, dirigentes afirmam que a estratégia inclui municiar militantes, parlamentares e influenciadores alinhados ao PT com conteúdos direcionados sobre temas sensíveis, como o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A intenção é preparar o terreno para enfrentar uma campanha que consideram permanente e agressiva por parte do bolsonarismo.
Essa movimentação reflete a nova fase do PT sob a direção de Edinho Silva, que busca tornar o partido mais digital, organizado e menos dependente da comunicação tradicional, apostando em uma presença mais forte e articulada nas redes sociais para os próximos desafios eleitorais.
Contexto
Desde a eleição de 2018, o ambiente digital se tornou palco central para disputas políticas no Brasil. O PT, que enfrentou dificuldades em campanhas anteriores devido à atuação robusta de adversários nas redes sociais, agora busca se estruturar para não repetir erros. A revelação das mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, divulgada pelo Intercept Brasil, serviu como estopim para o partido intensificar sua ofensiva digital, alinhada à nova gestão de Edinho Silva, que assumiu a presidência do PT em agosto de 2025. A estratégia visa preparar o partido para uma campanha eleitoral marcada por intensa disputa de narrativas e presença constante nas plataformas online.