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Política Nacional

Operação Sem Refino: PF apreende R$ 500 mil em dinheiro vivo na casa de policial civil no RJ

Investigação mira esquema de fraudes fiscais envolvendo a Refit e busca esclarecer origem de valores em espécie encontrados em residência no Rio de Janeiro.

Operação Sem Refino: PF apreende R$ 500 mil em dinheiro vivo na casa de policial civil no RJ

Operação Sem Refino: PF apreende R$ 500 mil em dinheiro vivo na casa de policial civil no RJ

Investigação mira esquema de fraudes fiscais envolvendo a Refit e busca esclarecer origem de valores em espécie encontrados em residência no Rio de Janeiro.

A Polícia Federal encontrou mais de meio milhão de reais em dinheiro vivo na residência do policial civil Maxwell Moraes Fernandes, durante a Operação Sem Refino, que apura fraudes fiscais ligadas à antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

Na manhã desta sexta-feira (15), a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema de fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, considerada uma das maiores devedoras de impostos do país. Durante as buscas, mais de R$ 500 mil em dinheiro vivo foram apreendidos na casa do policial civil Maxwell Moraes Fernandes, um dos investigados. O montante estava guardado em caixas de sapato, uma delas com a inscrição “o que é bom a gente guarda”.

Embora a posse de dinheiro em espécie não seja ilegal, a origem da quantia deverá ser esclarecida pelas autoridades. Maxwell terá que justificar por que mantinha essa quantia fora do sistema bancário, sem registros formais de movimentação financeira. A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que está colaborando com a operação da PF e que o caso está sendo acompanhado pela Corregedoria-Geral da corporação.

Além de Maxwell, a operação teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Segundo a Polícia Federal, a investigação apura que a Refit utilizou sua estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. O relatório da PF aponta que Castro teve papel decisivo na proteção e favorecimento dos interesses do grupo.

Agentes da PF, em veículos descaracterizados e com apoio de homens armados, realizaram buscas na residência de Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. O ex-governador acompanhou as diligências ao lado de seus advogados. Após cerca de três horas, os agentes deixaram o local com malotes. A defesa de Castro declarou que foi surpreendida pela operação e que o ex-governador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos, reafirmando sua lisura.

Outro investigado é o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit. A Polícia Federal solicitou a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol, lista internacional de procurados. Magro já havia sido alvo de uma grande operação da PF em novembro do ano passado.

O Grupo Refit foi alvo de uma megaoperação em novembro de 2025, denominada Poço de Lobato, que envolveu órgãos federais e estaduais em cinco estados, com 190 alvos. A investigação apontou prejuízos estimados em R$ 26 bilhões aos cofres públicos, decorrentes de fraudes fiscais elaboradas para ocultar lucros, reduzir impostos e blindar patrimônio.

Segundo as autoridades, o esquema utilizava cerca de 50 fundos de investimento, muitos com apenas um cotista, além de empresas em cascata com frequente troca de sócios. Estruturas familiares, jurídicas, tecnológicas e financeiras mantinham o funcionamento da fraude. Irregularidades como lacunas em declarações de importação, notas fiscais incompatíveis, uso de aditivos não autorizados, ausência de comprovação de refino e retenção de navios com 180 milhões de litros de combustível foram identificadas.

O caso da Refit é considerado um exemplo emblemático do chamado “crime do andar de cima”, caracterizado por fraudes bilionárias, tecnicamente sofisticadas e com impacto direto na arrecadação pública.

Contexto

A Operação Sem Refino é uma continuidade das investigações sobre fraudes fiscais envolvendo o Grupo Refit, que já vinha sendo alvo de operações da Polícia Federal e de órgãos estaduais desde 2025. O esquema criminoso envolve ocultação de patrimônio, evasão de recursos e manipulação de estruturas societárias para reduzir a carga tributária de forma ilegal. A participação de autoridades públicas, como o ex-governador Cláudio Castro, e empresários reforça a complexidade e o alcance do caso, que mobiliza esforços integrados de diferentes esferas de investigação e controle.

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