
Levantamento aponta critérios prioritários da população para a escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal após aposentadoria de Barroso.
Levantamento do Datafolha divulgado em maio de 2026 revela que a maioria dos brasileiros valoriza a diversidade na composição do Supremo Tribunal Federal (STF), destacando a importância da indicação de uma mulher, pessoas negras e religiosas para a vaga aberta pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha entre os dias 12 e 13 de maio de 2026, com 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, aponta que 51% da população considera muito importante que a próxima nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF) seja uma mulher. Atualmente, a Corte conta com apenas uma ministra, Cármen Lúcia. Além disso, 46% dos entrevistados atribuem alta relevância à indicação de uma pessoa negra, e o mesmo percentual valoriza que o indicado seja religioso. O levantamento também revelou que 18% consideram um pouco importante a nomeação de uma mulher, enquanto 27% não veem isso como relevante. No caso da representatividade negra, 16% julgam o critério como pouco importante e 35% como nada importante. Sobre a religiosidade, 20% atribuem importância moderada e 34% não consideram relevante. A pesquisa ainda investigou outras características desejadas para o novo ministro. O conhecimento jurídico excelente foi apontado como fundamental por 85% dos entrevistados. A lealdade ao presidente da República que indicar o nome foi considerada muito importante por 51%, embora 25% não deem valor a essa característica. A independência em relação a políticos e partidos foi destacada por 64% como essencial, enquanto 47% valorizam a afinidade política com deputados federais e senadores. Também foi avaliada a importância do apoio dos atuais ministros do STF ao nome indicado, com 53% considerando esse apoio muito relevante. A aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, anunciada em outubro de 2025, abriu a vaga no Supremo. A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi rejeitada pelo Senado, uma derrota histórica para o governo. Segundo o Datafolha, 59% da população não soube da rejeição. Entre os que tomaram conhecimento, 53% acreditam que a decisão enfraqueceu o governo, 7% que fortaleceu, e 36% que não teve impacto. O perfil evangélico de Jorge Messias foi uma das estratégias para atrair o eleitorado religioso. Entre os eleitores de Lula para 2026, 64% consideram muito importante a indicação de uma mulher e 60% a de uma pessoa negra. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), esses números caem para 41% e 35%, respectivamente. O levantamento reforça a complexidade e diversidade de expectativas da população brasileira para a composição do STF, ressaltando o debate sobre representatividade e critérios técnicos para a escolha do próximo ministro.
Contexto
O Supremo Tribunal Federal é a mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro, responsável por garantir a Constituição Federal. A nomeação de ministros é feita pelo presidente da República, com aprovação do Senado Federal. A diversidade na composição da Corte tem sido tema recorrente de debates públicos, especialmente em relação à representatividade de mulheres, negros e grupos religiosos. A aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso gerou uma disputa política significativa, evidenciada pela rejeição do Senado à indicação inicial do governo, o que impactou a percepção pública sobre o processo de escolha.