
Apesar de cinco requerimentos para investigar fraudes no Banco Master, presidente do Senado não prevê instalação imediata da comissão parlamentar.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), evitou confirmar a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar fraudes no Banco Master, mesmo com múltiplos pedidos protocolados no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta terça-feira (19), ao ser questionado sobre a possibilidade de autorizar a instalação da CPI do Banco Master, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), respondeu com a expressão regional “Égua da pergunta”, demonstrando surpresa e evitando dar uma resposta direta. Atualmente, existem pelo menos cinco pedidos formalizados para a criação da comissão: um exclusivo da Câmara dos Deputados, três do Senado e um requerimento para uma CPI mista, envolvendo deputados e senadores.
Além disso, tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) tanto um pedido da oposição quanto da base governista para que o colegiado seja instaurado. Caso o STF decida pela obrigatoriedade da comissão, o Parlamento poderá ser compelido a criá-la, como ocorreu anteriormente com a CPI da Covid.
Alcolumbre marcou para quinta-feira (21) uma sessão do Congresso Nacional com pauta única para analisar um veto presidencial à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O veto restringe a transferência de recursos federais para municípios inadimplentes, tema que foi demandado por prefeitos durante a Marcha dos Municípios em Brasília. No entanto, não há previsão para que o requerimento da CPI do Banco Master seja lido nesta sessão, o que é o primeiro passo para a formalização da comissão.
Segundo o regimento do Congresso, a leitura do pedido de CPI em sessão é necessária para iniciar o prazo para indicação dos membros da comissão pelos partidos. Após essa etapa, a CPI precisa ser formalmente instalada para começar os trabalhos. Esta será a segunda votação do Congresso neste ano, e a primeira oportunidade para que o pedido da CPI mista seja considerado, já que na sessão de abril o requerimento foi ignorado.
Durante a sessão plenária do Senado, três senadores — Jaime Bagattoli (PL-RO), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) — cobraram Alcolumbre para que a CPI do Banco Master fosse criada, mas não obtiveram resposta.
Nos bastidores, parlamentares de diferentes espectros políticos reconhecem que a investigação não é prioridade para a cúpula do Congresso, nem para segmentos políticos relevantes. Além disso, a proximidade do ano eleitoral impõe um calendário apertado, dificultando o avanço na criação das comissões parlamentares de inquérito.
O caso Banco Master envolve suspeitas de fraudes financeiras que mobilizaram a atenção do Congresso e da sociedade, motivando a pressão para a instalação da CPI. A demora na decisão e a ausência de um posicionamento claro do presidente do Senado indicam um cenário de impasse político em torno da investigação.
Contexto
Desde o início do ano, o Congresso Nacional recebeu vários pedidos para instaurar uma CPI que investigue irregularidades no Banco Master. A pressão aumentou após denúncias de fraudes financeiras, levando a oposição e a base governista a protocolarem requerimentos no Senado, na Câmara e no STF. Em situações anteriores, como a CPI da Covid, decisões do Supremo Tribunal Federal forçaram o Parlamento a criar comissões para apurar temas de grande repercussão pública. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem adotado uma postura cautelosa, adiando a leitura dos pedidos e priorizando outras pautas, o que tem gerado críticas de parlamentares e setores da sociedade civil.