
Presidente reforça que redução para 40 horas semanais deve ser feita de uma vez, enquanto relator da PEC apresenta parecer na próxima segunda-feira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que se reunirá com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na próxima segunda-feira (25), para tratar da proposta que visa extinguir a escala 6×1. Lula defende que a redução da jornada de trabalho seja implementada imediatamente, sem período de transição, e ressalta os benefícios para saúde e educação.
Nesta sexta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que irá se encontrar com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na segunda-feira (25), para discutir o projeto que propõe o fim da escala 6×1. Durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula declarou ser contrário a um período de transição para a implementação da redução da jornada de trabalho, defendendo que a diminuição das 44 para 40 horas semanais ocorra de forma imediata e sem redução salarial. “Nós defendemos que a redução seja de uma vez. De 44 para 40 horas e fim de papo, sem reduzir salário”, afirmou o presidente. Ele ainda criticou a ideia de uma transição gradual, considerando que isso seria “brincar de fazer redução” e destacou que o projeto deve ser votado na Câmara para que o público possa identificar os posicionamentos dos parlamentares. O debate sobre o fim da escala 6×1 tem avançado na Câmara dos Deputados, mas o período de transição ainda gera divergências entre governo, oposição e setores produtivos. O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar o parecer na comissão especial na próxima segunda-feira (25), após adiamento devido a discordâncias. A expectativa é que o texto seja votado na comissão e, posteriormente, no plenário da Câmara antes de seguir para o Senado. Segundo Prates, os pontos referentes à redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição salarial e a concessão de dois dias de descanso remunerado já estão acordados. Contudo, o momento em que a proposta passará a vigorar ainda não foi definido. Hugo Motta destacou que a formulação final do texto está em negociação com o governo e as bancadas partidárias, além de incluir diálogo com representantes do setor produtivo para garantir equilíbrio na pauta. Paralelamente, o governo federal apresentou um projeto de lei que prevê a redução da jornada semanal para 40 horas e a diminuição da escala de trabalho de 6 para 5 dias, com dois dias consecutivos de descanso remunerado. Essa iniciativa, diferente da PEC, não altera a Constituição. O relator Léo Prates indicou que a análise será dividida entre a PEC e o projeto de lei, embora não tenha confirmado se as votações ocorrerão simultaneamente ou em momentos distintos. Representantes do setor produtivo manifestam preocupação com o aumento dos custos decorrentes da redução da jornada, temendo impactos negativos na competitividade e na geração de empregos. Economistas ressaltam que o avanço da proposta deve ser acompanhado por medidas que promovam ganhos de produtividade, como qualificação profissional, inovação e investimentos em infraestrutura e logística, para equilibrar os efeitos econômicos.
Contexto
A escala 6×1 é um modelo de jornada de trabalho em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e descansa um. A proposta de redução para 40 horas semanais e o fim desse regime têm sido debatidos no Congresso Nacional, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho e promover benefícios à saúde e à educação. A discussão envolve a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e um projeto de lei, que precisam ser aprovados para alterar as regras vigentes. O tema gera controvérsia entre setores governamentais, parlamentares e representantes do setor produtivo, principalmente em relação ao impacto econômico e ao período de transição para a implementação das mudanças.