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Política Nacional

Pressão por CPI do Banco Master intensifica disputa política no Congresso em 2026

Apesar da pressão crescente, líderes do Congresso resistem à instalação da comissão que investigaria o escândalo envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.

Pressão por CPI do Banco Master intensifica disputa política no Congresso em 2026

Pressão por CPI do Banco Master intensifica disputa política no Congresso em 2026

Apesar da pressão crescente, líderes do Congresso resistem à instalação da comissão que investigaria o escândalo envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.

O Congresso Nacional enfrenta uma intensa batalha política em torno da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades no Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Com sete requerimentos pendentes, a instalação da CPI tem sido barrada pela cúpula do Legislativo, enquanto governistas e oposicionistas utilizam o tema para fortalecer suas narrativas eleitorais em 2026.

A discussão sobre a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master voltou a ganhar destaque no Congresso Nacional após a divulgação de áudios que revelam ligações entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Atualmente, sete iniciativas para criar comissões parlamentares de inquérito sobre o caso estão aguardando análise nas duas Casas legislativas. No entanto, a presidência da Câmara dos Deputados, comandada por Hugo Motta (Republicanos-PB), e a do Senado e do Congresso, sob o comando de Davi Alcolumbre (União-AP), têm resistido à instalação dos colegiados. Para a criação de uma CPI na Câmara, são necessárias ao menos 171 assinaturas de deputados, enquanto no Senado o mínimo é de 27 senadores. No caso de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), o quórum deve ser atingido simultaneamente nas duas Casas. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) já protocolou um requerimento com mais de 200 assinaturas para a CPI do Master na Câmara, mas o pedido aguarda na fila de análise, atrás de outros 15 requerimentos. No Senado, Alcolumbre detém a prerrogativa de decidir sobre três pedidos de CPI apresentados pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Carlos Viana (PSD-MG) e Rogério Carvalho (PT-SE), além de dois requerimentos para CPMIs, um proposto pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e outro pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS). Durante a última sessão do Congresso, Alcolumbre reafirmou que a leitura dos requerimentos para instalação das CPIs é um ato discricionário da presidência da mesa, recusando-se a realizar a leitura dos pedidos. O senador Flávio Bolsonaro, que passou a defender a criação da CPMI após as revelações das ligações com Vorcaro, desafiou a base governista a assinar o requerimento e afirmou não temer a investigação. Apesar disso, ele assinou apenas os requerimentos de CPMI de Carlos Jordy e a CPI do Senado de Carlos Viana, não apoiando os demais pedidos. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) rebateu as declarações de Flávio e destacou que a base governista assinou vários requerimentos para a CPI, cobrando explicações sobre as movimentações financeiras envolvendo o ex-banqueiro. A retomada da pauta da CPI do Master está ligada a diferentes interesses políticos. A oposição tem utilizado o tema para questionar possíveis vínculos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master, especialmente após a revelação de que o ministro Dias Toffoli foi sócio de uma empresa que negociou participação com fundos ligados a Vorcaro. Já o governo, que inicialmente evitou o tema devido ao desgaste de investigações anteriores, passou a apoiar a CPI após derrotas políticas recentes, como a rejeição do indicado Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria. Parlamentares governistas defendem a comissão como resposta à aliança entre Centrão e oposição. No entanto, o deputado Carlos Jordy afirma que o pedido de CPMI da base governista tem caráter meramente narrativo, pois seu requerimento foi protocolado anteriormente. A deputada Fernanda Melchionna destaca que a coleta de assinaturas para sua CPMI começou em novembro de 2025, antes do escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, e reconhece a dificuldade em atingir o quórum necessário. Diante da resistência dos presidentes da Câmara e do Senado, quatro parlamentares recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cobrar a leitura dos requerimentos e a consequente instalação das CPIs. O deputado Rodrigo Rollemberg argumentou que a demora na análise configura omissão injustificada, mas o ministro Cristiano Zanin negou o pedido por falhas processuais. Carlos Jordy ingressou com mandados de segurança no STF, alegando que a instalação da CPI é automática quando preenchidos os requisitos constitucionais e que a decisão não depende do plenário ou da presidência do Congresso. Do lado governista, Lindbergh Farias e Heloísa Helena também acionaram o STF, com os processos sob relatoria do ministro André Mendonça, responsável pelas investigações do Master na Corte. O senador Eduardo Girão recorreu ao ministro Kassio Nunes Marques para garantir a instalação da CPI no Senado. Até o momento, não há previsão para manifestação dos ministros sobre os pedidos. A disputa em torno da CPI do Banco Master reflete o clima político acirrado no Congresso, com governistas e oposicionistas utilizando o tema para fortalecer suas estratégias eleitorais e pressionar adversários, enquanto a cúpula do Legislativo mantém o controle sobre a pauta para evitar desgastes institucionais.

Contexto

O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, está no centro de um escândalo financeiro que envolve suspeitas de irregularidades e ligações com figuras políticas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro. Desde 2025, diversas iniciativas foram protocoladas para investigar o banco por meio de CPIs no Congresso Nacional. A resistência dos presidentes da Câmara e do Senado em instalar as comissões tem gerado impasses e ações judiciais no Supremo Tribunal Federal, que pode decidir sobre a obrigatoriedade da instalação das CPIs. O caso ganhou maior repercussão com a divulgação de áudios e fatos que ligam políticos a Vorcaro, tornando-se tema central na disputa política para as eleições de 2026.

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