
Circuito interno mostra piloto contornando fiscalização em voo que transportava parlamentares; autoridades ainda não identificaram conteúdo das malas.
A Polícia Federal abriu investigação após imagens do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), mostrarem que sete bagagens passaram sem inspeção durante desembarque de voo que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira.
No dia 20 de abril, o Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), foi palco de uma ocorrência que motivou apuração pela Polícia Federal (PF). Câmeras internas registraram o momento em que o piloto do jatinho particular, José Jorge de Oliveira Júnior, contornou o procedimento padrão de fiscalização ao transportar sete volumes sem que estes fossem submetidos ao raio-x. O voo PP-OIG, proveniente da ilha caribenha de São Martinho, tinha entre seus passageiros o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e o senador Ciro Nogueira (Progressistas). Conforme o relatório da PF, até aproximadamente 21h35, todas as bagagens dos cerca de 20 passageiros passaram normalmente pelo raio-x. Às 21h31, o piloto foi filmado conduzindo dois volumes que passaram pela inspeção. No entanto, cerca de nove minutos depois, ele retornou ao ponto de fiscalização com mais cinco volumes, totalizando sete, e utilizou um carrinho para contornar o pórtico do detector de metais pelo lado externo, evitando a inspeção. A corporação identificou que os sete volumes incluíam uma sacola plástica, uma caixa de papel, uma sacola de papel, um edredom, uma mala, outra caixa e uma mochila. Destes, apenas a mala e a mochila haviam sido submetidos ao raio-x anteriormente. A PF não conseguiu determinar o conteúdo das bagagens nem a quem pertenciam. Após o episódio, a operadora do raio-x questionou o auditor fiscal responsável pela fiscalização, que, segundo o relatório, respondeu com gestos que indicavam “banalidade e irrelevância”. A investigação apontou que o procedimento irregular foi exclusivo deste voo, já que em outras operações na mesma noite, todas as bagagens foram inspecionadas normalmente, e o auditor não apresentou condutas semelhantes. O piloto José Jorge declarou que não se recorda do evento, mas afirmou que segue os procedimentos padrão, ressaltando que cada passageiro desembarca com seus pertences individualmente e que os pilotos transportam apenas seus próprios itens, assumindo responsabilidade exclusiva em eventuais fiscalizações. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que cumpriu todos os protocolos e determinações legais ao desembarcar e aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O senador Ciro Nogueira e o auditor fiscal não se manifestaram até o momento. A Polícia Federal segue investigando o caso para esclarecer as circunstâncias e responsabilidades sobre a passagem das bagagens sem fiscalização.
Contexto
Este episódio ocorre em meio a crescente atenção sobre procedimentos de segurança e fiscalização em aeroportos brasileiros, especialmente em voos que transportam autoridades públicas. A Polícia Federal intensificou o monitoramento para garantir o cumprimento das normas aduaneiras e evitar irregularidades que possam comprometer a segurança e a transparência nas operações aeroportuárias. A investigação busca esclarecer se houve conivência ou falha deliberada no processo de inspeção, além de identificar os responsáveis pelas bagagens não fiscalizadas.