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Política Nacional

Personagem Dona Maria é usada por perfis pró-Lula para defender governo nas redes sociais

Versão progressista da personagem viral criada por inteligência artificial ganha espaço em vídeos e postagens favoráveis ao presidente Lula.

Personagem Dona Maria é usada por perfis pró-Lula para defender governo nas redes sociais - Dona Maria personagem IA

Personagem Dona Maria é usada por perfis pró-Lula para defender governo nas redes sociais - Dona Maria personagem IA

Versão progressista da personagem viral criada por inteligência artificial ganha espaço em vídeos e postagens favoráveis ao presidente Lula.

Perfis digitais alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a utilizar uma versão adaptada da personagem fictícia Dona Maria, criada por inteligência artificial, para defender o governo e criticar a oposição nas redes sociais.

Desde abril de 2026, páginas e perfis que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm divulgado uma versão própria da personagem Dona Maria, originalmente criada por inteligência artificial (IA) e conhecida por críticas contundentes ao governo. Na nova adaptação, a personagem mantém sua imagem de idosa, mas adota um discurso favorável ao presidente e às suas propostas, como o fim da escala 6×1, além de críticas à família Bolsonaro.

Em vídeos publicados em 23 de abril por perfis como Lula Pela Verdade, Comitê Popular Oficial, Brasil Fora da Caverna, Esquerda Brasil 4.0 e Jovem Esquerda Br, Dona Maria afirma que o presidente está trabalhando em benefício dos brasileiros e questiona a postura da família Bolsonaro, que, segundo ela, estaria mais preocupada em interesses próprios. “Eles mentiram pra nós. Falaram que o Lula ia acabar com o Brasil, mas tudo que vejo é o homem trabalhando pelos brasileiros. Fica difícil falar mal dele com ele propondo o fim da escala 6 por 1. Enquanto a família Bolsonaro, que eu tanto defendi, está mais preocupada em vender o Brasil em benefício próprio”, declara a personagem.

A versão original da Dona Maria, que viralizou a partir de 2025, era marcada por um tom emocional e linguagem agressiva contra o governo Lula. Um dos vídeos publicados no Instagram em julho daquele ano alcançou 8,8 milhões de visualizações e mais de 23 mil comentários. Segundo análise da BBC News Brasil, o perfil da personagem apresentava engajamento comparável ao de políticos tradicionais da direita, com média superior a 2 mil comentários por publicação. Ao menos 12 vídeos da página ultrapassaram 1 milhão de visualizações em menos de um ano.

A personagem ganhou notoriedade especialmente durante a crise comercial provocada pelo chamado “tarifaço” anunciado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Dona Maria se destacou ao criticar a postura do governo brasileiro diante das medidas internacionais, tornando-se uma das vozes mais reproduzidas nas redes sociais naquele período.

Em um dos vídeos mais emblemáticos da versão original, Dona Maria expressa indignação com a ausência de reação popular diante do aumento de taxas internacionais: “Eu já estou revoltada com essa p*, Brasil. E o molusco (referência ao presidente Lula) está calado. Agora que o povo está levando no r* com taxa gringa, ele está calado igual siri na lata. Cadê o povo na rua? Cadê panela batendo, cadê o grito, cadê a revolta? Ou todo mundo virou planta? Porque eu tô aqui gritando e só escuto o vento e a taxa vindo.”

Diante da repercussão e do uso da personagem para fins políticos, os partidos que compõem a Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil) — PT, PV e PCdoB — entraram com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 22 de abril. O pedido visa a suspensão e a retirada do ar de perfis com o nome “Dona Maria” em plataformas como Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X, alegando que a utilização da personagem pode causar desinformação e manipulação política nas redes sociais.

Contexto

A personagem Dona Maria foi criada por inteligência artificial e ganhou popularidade em 2025 com vídeos críticos ao governo Lula, especialmente durante crises econômicas e políticas. Sua repercussão nas redes sociais chamou atenção pela alta taxa de engajamento e influência, o que levou a uma adaptação da personagem por perfis aliados ao presidente, que passaram a usá-la para defender o governo e criticar adversários políticos. A controvérsia sobre o uso da personagem levou partidos da base governista a acionarem o TSE para regulamentar e controlar a disseminação desses conteúdos nas redes sociais.

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