
Conflito familiar entre Michelle e Flávio Bolsonaro impacta percepção do eleitorado e pode influenciar campanha de 2026
Uma pesquisa realizada pela Quaest entre 10 e 13 de julho mostra que 42% dos entrevistados concordam mais com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no desentendimento público com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. Apenas 18% apoiam o posicionamento do parlamentar, indicando desgaste político na base bolsonarista.
A pesquisa Quaest, encomendada pelo Banco Genial e divulgada em 15 de julho, ouviu presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento avaliou a repercussão dos vídeos divulgados por Michelle Bolsonaro, onde ela relatou ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica sobre alianças eleitorais no Ceará. No conflito, Michelle afirmou que não mantinha contato com o senador desde o fim de 2025 e que percebeu que seu apoio à pré-candidatura dele não era valorizado. Segundo os dados, 42% dos entrevistados concordam mais com Michelle, enquanto 18% se posicionam ao lado de Flávio. Além disso, 22% não concordam com nenhum dos dois, 3% concordam parcialmente com ambos e 15% não souberam ou não responderam. Sobre o conhecimento dos vídeos, 49% já estavam cientes antes da pesquisa, e 51% tomaram conhecimento naquele momento. Quanto à decisão de Michelle de tornar público o desentendimento, 45% consideram que ela agiu corretamente, enquanto 38% acham que errou. O restante não soube ou não quis responder. Flávio Bolsonaro pediu desculpas publicamente, afirmando que não teve a intenção de ofender Michelle, e manifestou desejo de reaproximação. Em resposta, Michelle negou que houvesse uma briga ou competição entre eles e declarou que trabalhariam juntos nas eleições. Em 30 de junho, Michelle deixou a presidência do PL Mulher para se dedicar aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu marido, e da filha. Antes da escolha de Flávio como pré-candidato, Michelle era apontada como possível candidata à Presidência pela direita e atualmente é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, embora ainda não confirme a disputa. A pesquisa também investigou a percepção sobre a influência de Michelle na campanha de Flávio. Para 38% dos entrevistados, a participação dela aumentaria as chances de vitória do senador, enquanto 47% acreditam que não faria diferença. Outros 15% não souberam ou não responderam. Sobre as motivações para Michelle divulgar os vídeos, 34% acreditam que ela busca a candidatura presidencial no lugar de Flávio, 25% veem oposição a alianças políticas controversas, 16% apontam resposta a ataques e desrespeitos, 4% consideram todas essas razões, 2% indicam outras motivações, e 19% não souberam ou não quiseram responder. Felipe Nunes, diretor da Quaest, destacou que o episódio evidencia fragilidades na campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente entre eleitores de direita. Segundo ele, 35% do eleitorado de direita e 20% do bolsonarismo consideram que Michelle agiu corretamente ao divulgar os vídeos, e 53% dos eleitores de direita acreditam que a participação direta dela na campanha poderia aumentar as chances de vitória do senador. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.
Contexto
O conflito público entre Michelle e Flávio Bolsonaro ganhou repercussão em junho de 2026, quando Michelle divulgou vídeos relatando humilhações sofridas durante uma conversa com Flávio sobre estratégias eleitorais. O episódio expôs tensões internas no PL e na base bolsonarista, com reflexos nas pré-candidaturas para as eleições presidenciais e legislativas. Michelle, que já foi cotada para disputar a Presidência, atualmente é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência pelo PL. A pesquisa Quaest oferece um panorama do impacto desse desentendimento na opinião pública e no cenário eleitoral.