
Virgílio de Oliveira Filho está preso desde novembro e pode revelar detalhes sobre esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
A Polícia Federal avalia uma proposta de delação premiada apresentada por Virgílio de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, preso desde novembro de 2025, que pode esclarecer fraudes envolvendo empréstimos consignados do Banco Master e o suposto envolvimento de políticos no esquema.
Desde novembro de 2025, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), está detido em Curitiba, Paraná, após ser alvo da 4ª fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos irregulares em benefícios do INSS. Atualmente, ele está em uma cela na Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense e apresentou uma proposta de delação premiada à PF, na qual detalha os temas que pretende abordar, reconhece a prática de crimes e já prestou depoimentos iniciais.
Caso a Polícia Federal aprove o acordo, o material será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria das investigações sobre as fraudes no INSS, descobertas há cerca de um ano. Antes da homologação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) será consultada para análise do conteúdo da colaboração.
Outro investigado relevante no caso é o empresário Maurício Camisotti, ligado a algumas entidades que realizaram descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Ele já firmou acordo de colaboração premiada com a PF, que aguarda homologação pelo ministro Mendonça.
A delação de Virgílio de Oliveira Filho é considerada crucial pelos investigadores, pois ele comandava a área jurídica do INSS e tinha amplo conhecimento do funcionamento do esquema, incluindo a participação de agentes políticos. Um dos anexos da proposta de delação aborda o Banco Master, apontado como pioneiro na fraude de empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS, configurando um ponto de convergência entre as duas principais investigações em curso no STF: a do INSS e a do Banco Master.
Segundo o relato do ex-procurador, durante o governo de Jair Bolsonaro, foi editada uma medida provisória, conhecida internamente no INSS como “MP do Master”, que teria favorecido o banco na execução dos contratos de empréstimos consignados. Essa modalidade permite o desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento do INSS.
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente em março de 2026 na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e fundos de investimento. Vorcaro permanece na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde também negocia um acordo de delação premiada.
Além de Virgílio de Oliveira Filho, outras pessoas foram presas na 4ª fase da Operação Sem Desconto, entre elas Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, e André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS, que seguem detidos. A esposa de Virgílio, a médica Thaísa Hoffmann, também foi presa, mas atualmente cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. A investigação revelou que Virgílio recebeu cerca de R$ 11,9 milhões por meio de empresas e contas bancárias de sua esposa, provenientes de firmas vinculadas às associações investigadas por descontos ilegais em benefícios. O lobista Antônio Antunes, conhecido como Careca do INSS, também está sob investigação e teria transferido um veículo de luxo para o nome de Thaísa Hoffmann.
A expectativa é que a colaboração de Virgílio de Oliveira Filho possa esclarecer os detalhes do esquema, ampliando o alcance das investigações e identificando os responsáveis pelas fraudes que prejudicaram aposentados e pensionistas do INSS.
Contexto
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal há um ano, investiga fraudes em descontos irregulares de empréstimos consignados em benefícios do INSS. A investigação revelou um esquema que envolvia servidores públicos, empresários e políticos, com desvios milionários. O Banco Master foi apontado como um dos principais agentes na fraude, beneficiado por medidas provisórias editadas durante o governo Bolsonaro. Os casos tramitam no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça, que analisa pedidos de homologação de acordos de colaboração premiada de investigados. A operação já resultou em diversas prisões e busca recuperar valores desviados dos cofres públicos.