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Política Nacional

Conselho de Ética aprova relatório que recomenda suspensão de deputados por ocupação da Mesa da Câmara

Deputados Marcos Pollon, Marcel Van Hattem e Zé Trovão são acusados de quebra de decoro parlamentar após impedirem presidente da Câmara de assumir cadeira

Conselho de Ética aprova relatório que recomenda suspensão de deputados por ocupação da Mesa da Câmara - suspensão de deputados Câmara

Conselho de Ética aprova relatório que recomenda suspensão de deputados por ocupação da Mesa da Câmara - suspensão de deputados Câmara

Deputados Marcos Pollon, Marcel Van Hattem e Zé Trovão são acusados de quebra de decoro parlamentar após impedirem presidente da Câmara de assumir cadeira

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) um relatório que recomenda a suspensão por dois meses dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) devido à ocupação da Mesa Diretora ocorrida em agosto de 2025. A decisão ainda será analisada pelo plenário da Casa após possível recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O episódio que motivou a recomendação de suspensão ocorreu em agosto de 2025, quando os três deputados ocuparam fisicamente a Mesa Diretora do plenário da Câmara, impedindo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de assumir seu posto para iniciar os trabalhos legislativos. A ação foi uma reação à prisão domiciliar decretada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrentava um processo judicial envolvendo uma condenação superior a 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O relator do caso no Conselho de Ética, deputado Moses Rodrigues (União-CE), destacou que a conduta dos parlamentares configurou uma inversão da hierarquia institucional, já que o presidente da Câmara foi impedido de exercer sua função legítima. Ele ressaltou que o ato ultrapassou o limite de um protesto político e afetou negativamente a imagem da Câmara perante a sociedade. Durante a sessão do Conselho, iniciada às 13h20 e que se estendeu até a noite, aliados dos deputados envolvidos tentaram obstruir a votação com discursos prolongados e questionamentos regimentais, na tentativa de evitar a aprovação do relatório. Em defesa, Zé Trovão argumentou que a manifestação foi pacífica e não teve o objetivo de incitar violência ou desestabilizar as instituições, mas sim pressionar pela anistia dos condenados pelo ataque ao Congresso em 8 de janeiro. Marcel Van Hattem afirmou que não houve ilegalidade na ocupação das cadeiras da Mesa, pois elas pertencem a todos os deputados federais, e que a ação foi um exercício legítimo do direito de reunião. Marcos Pollon, por sua vez, sustentou que a imunidade parlamentar ampara sua atuação e que o comportamento dos deputados não ultrapassou os limites do decoro parlamentar. Após o episódio, o presidente da Câmara, Hugo Motta, viu sua autoridade fragilizada e cogitou a aplicação de punições sumárias contra os envolvidos. Contudo, o encaminhamento oficial foi feito ao Conselho de Ética, que agora recomenda a suspensão dos mandatos por dois meses. Além disso, a Mesa Diretora protocolou um projeto de resolução para alterar o Regimento Interno e o Código de Ética da Câmara, prevendo punições específicas para obstruções físicas no plenário, como empurrões e ocupação da Mesa, que podem variar de suspensão temporária à perda do mandato. Embora a urgência do projeto tenha sido aprovada, a proposta ainda aguarda votação no plenário da Casa.

Contexto

A ocupação da Mesa Diretora da Câmara ocorreu em meio a um cenário político tenso, após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. O episódio gerou um impasse institucional, com deputados de oposição adotando medidas de pressão contra a presidência da Câmara. A situação evidenciou a fragilidade do comando da Casa e motivou debates sobre a necessidade de mudanças regimentais para coibir atos semelhantes no futuro. O processo de análise no Conselho de Ética é parte do rito disciplinar previsto para casos de quebra de decoro parlamentar, podendo culminar em sanções que vão desde advertências até a suspensão do mandato.

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