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Política Nacional

Projeto aprovado na Câmara limita multas por desmatamento com base em imagens de satélite

Nova regra altera fiscalização ambiental e impõe direito de defesa ao produtor rural antes de sanções por imagens de satélite

Projeto aprovado na Câmara limita multas por desmatamento com base em imagens de satélite

Projeto aprovado na Câmara limita multas por desmatamento com base em imagens de satélite

Nova regra altera fiscalização ambiental e impõe direito de defesa ao produtor rural antes de sanções por imagens de satélite

A Câmara dos Deputados aprovou, em 21 de maio de 2026, um projeto que restringe a aplicação de multas e embargos por desmatamento detectado por imagens de satélite, exigindo notificação prévia ao proprietário da área. A medida provoca debates entre ambientalistas, que alertam para a fragilização da fiscalização, e ruralistas, que defendem a garantia do direito de defesa.

Na sessão realizada em 21 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que altera as regras para a aplicação de sanções administrativas relacionadas ao desmatamento, especialmente aquelas baseadas em imagens captadas por satélites. O texto determina que, antes da imposição de embargos ou multas, o administrador da área deve ser notificado para apresentar defesa prévia, o que pode postergar a aplicação das penalidades.

O monitoramento por satélite é um dos principais instrumentos para o controle do desmatamento na Amazônia, onde cerca de 90% do bioma é acompanhado remotamente devido à dificuldade de acesso às regiões. Ambientalistas expressam preocupação com a nova legislação, argumentando que a exigência de notificação prévia pode permitir que produtores continuem a derrubar vegetação ou até evadam-se antes da fiscalização efetiva.

A proposta não proíbe a aplicação de multas, mas impede que medidas cautelares sejam usadas como antecipação das sanções punitivas. O texto, contudo, não especifica prazos claros para a imposição das penalidades após a notificação, o que gera críticas quanto à efetividade da fiscalização.

O deputado Lúcio Mosquini (PL-RO), autor do projeto, defende que a medida assegura o direito de defesa dos produtores rurais, ressaltando que o monitoramento por satélite não permite comunicação direta com os administradores das áreas. “Queremos que o satélite continue fiscalizando, mas que o produtor seja notificado antes do embargo”, afirmou.

Por outro lado, líderes da oposição, como Tarcísio Motta (Psol-RJ), classificam o projeto como um retrocesso que beneficia desmatadores. “Este projeto fragiliza os mecanismos de fiscalização ambiental e impede medidas preventivas urgentes”, disse Motta. A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) também criticou a proposta, destacando que a exigência de notificação enfraquece os órgãos de fiscalização.

A relatora da matéria, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), defendeu o texto afirmando que ele “evitará prejuízos injustos aos autuados e fortalecerá a governança ambiental, aumentando a credibilidade dos órgãos fiscalizadores perante a sociedade”.

O projeto foi aprovado em um contexto de comemoração do ‘Dia do Agro’, data que reforça a importância do setor rural no país, mas também intensifica o debate sobre o equilíbrio entre produção agrícola e preservação ambiental.

Contexto

O uso de imagens de satélite para monitorar o desmatamento na Amazônia é uma ferramenta consolidada, responsável por cerca de 90% da fiscalização em áreas remotas. Medidas cautelares, como embargos imediatos, são aplicadas para impedir a continuidade de danos ambientais. A aprovação deste projeto representa uma mudança significativa, pois introduz uma etapa obrigatória de notificação e defesa prévia, o que pode impactar a rapidez e eficácia das ações contra o desmatamento ilegal. Ambientalistas temem que a nova regra incentive a continuidade de práticas ilegais, enquanto ruralistas argumentam que o direito de defesa é fundamental para evitar injustiças.

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