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Política Nacional

Davi Alcolumbre promulga Lei da Dosimetria após derrubada do veto de Lula

Projeto que possibilita redução de penas, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi promulgado pelo presidente do Congresso Nacional após veto presidencial ser derrubado.

Davi Alcolumbre promulga Lei da Dosimetria após derrubada do veto de Lula

Davi Alcolumbre promulga Lei da Dosimetria após derrubada do veto de Lula

Projeto que possibilita redução de penas, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi promulgado pelo presidente do Congresso Nacional após veto presidencial ser derrubado.

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), promulgou nesta sexta-feira (8) a Lei da Dosimetria, que permite a redução das penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão.

A promulgação da Lei da Dosimetria ocorreu após o Congresso Nacional derrubar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei. O veto havia sido aplicado em 8 de janeiro de 2026, data que marcou os três anos dos ataques ao Congresso e ao Palácio do Planalto. Na votação para derrubar o veto, a Câmara dos Deputados registrou 318 votos favoráveis e 144 contrários, enquanto o Senado teve 49 votos a favor e 24 contra, superando as majorias necessárias para a rejeição do veto presidencial.

Segundo a Constituição Federal, o presidente da República tem 48 horas para promulgar um projeto após a rejeição do veto pelo Legislativo. Caso não o faça, a responsabilidade passa ao presidente da Câmara, depois ao presidente do Senado e, em seguida, ao vice-presidente da República. Lula optou por não promulgar a lei, deixando a tarefa para Davi Alcolumbre, que assumiu a promulgação nesta sexta-feira (8).

Fontes do g1 indicam que o presidente Lula evitou assinar o projeto para não associar sua imagem à medida, que beneficia condenados pelos ataques de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a derrubada do veto, a base governista anunciou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que a judicialização da questão será anunciada em breve.

Entre os argumentos para contestar a derrubada do veto está o fato de o Congresso ter realizado um fatiamento do veto integral, o que pode ser questionado juridicamente. No entanto, a avaliação dentro do Planalto é que o STF provavelmente manterá a decisão do Legislativo, evitando interferir na disputa entre os poderes.

Antes da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adotou uma manobra para evitar conflito com a Lei Antifacção, que endurece as regras para progressão de regime em casos de crimes graves. Ele retirou da análise do Congresso um trecho do projeto que facilitava a progressão de regime para condenados por crimes como feminicídio e hediondos. Essa ação foi uma forma de desmembrar o veto integral de Lula, permitindo que o restante do projeto fosse mantido sem prejudicar as normas da Lei Antifacção.

A retirada desse trecho, considerada incomum, foi declarada como “prejudicial” por Alcolumbre, impedindo que a derrubada do veto reintroduzisse regras mais brandas para progressão de regime em crimes graves. Com isso, o Congresso conseguiu aprovar o restante da Lei da Dosimetria, que agora está em vigor após a promulgação.

A nova lei impacta diretamente os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, permitindo a redução das penas aplicadas, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre sentença de 27 anos e três meses de prisão pelo envolvimento na trama golpista.

Contexto

Os ataques de 8 de janeiro de 2023 foram episódios de violência contra as sedes dos Três Poderes em Brasília, envolvendo grupos que contestavam o resultado das eleições presidenciais daquele ano. Vários envolvidos foram condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe. A Lei da Dosimetria, aprovada em 2026, altera as regras para aplicação das penas desses condenados, gerando debates políticos e jurídicos intensos. O veto inicial do presidente Lula e sua posterior derrubada pelo Congresso refletem a tensão entre os poderes Executivo e Legislativo. A manobra adotada por Davi Alcolumbre para retirar do projeto dispositivos conflitantes com a Lei Antifacção demonstra a complexidade do processo legislativo e a busca por equilíbrio entre endurecimento penal e flexibilização de penas.

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