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Política Nacional

Senado adia votação de projeto sobre dívidas rurais para buscar acordo com governo

Renan Calheiros e Tereza Cristina lideram negociações com Ministério da Fazenda para definir regras de renegociação das dívidas rurais

Senado adia votação de projeto sobre dívidas rurais para buscar acordo com governo

Senado adia votação de projeto sobre dívidas rurais para buscar acordo com governo

Renan Calheiros e Tereza Cristina lideram negociações com Ministério da Fazenda para definir regras de renegociação das dívidas rurais

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado adiou novamente a votação do projeto que trata da renegociação das dívidas rurais, em busca de um acordo com o governo federal. A decisão foi tomada nesta terça-feira (26), antes de uma reunião com o Ministério da Fazenda, que pode definir os próximos passos da proposta.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado optou por postergar a votação do projeto que regulamenta a renegociação de dívidas rurais, com o objetivo de avançar nas negociações com o governo federal. O presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), informou que a sessão será retomada nesta tarde, após encontro entre integrantes do colegiado e representantes do Ministério da Fazenda. Renan Calheiros e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) são os principais interlocutores do Senado nas conversas com o governo. Eles serão recebidos pelo ministro Dario Durigan às 14h para discutir o texto. O governo federal pretende lançar uma medida provisória (MP) para tratar do tema, mas o senador Renan Calheiros defende que o acordo seja formalizado por meio do projeto de lei em tramitação na comissão. “O governo quer editar uma MP, mas temos insistido para que o consenso seja incorporado no projeto que será aprovado na CAE, com compromisso de aprovação no plenário do Senado e na Câmara dos Deputados”, afirmou Calheiros. Antes do adiamento, o senador ressaltou que, caso não haja acordo, a votação será realizada ainda hoje. “Temos alternativas caso não haja consenso. Já debatemos o assunto por três semanas e vamos continuar hoje, mas a votação não será prejudicada”, garantiu. A senadora Tereza Cristina reforçou a importância do alinhamento com o governo para que a proposta avance efetivamente. “Não adianta aprovar um projeto que depois seja vetado ou não implementado. Precisamos de sintonia com o Executivo para garantir resultados concretos na renegociação das dívidas rurais”, declarou. O projeto em análise autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de crédito destinada a produtores rurais afetados por desastres naturais. Essa linha poderá ser utilizada para quitar ou renegociar dívidas contraídas até 31 de dezembro de 2025. Além do Fundo Social do Pré-Sal, o parecer do relator Renan Calheiros prevê a utilização de recursos de outros fundos, como os Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO), o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e superávits financeiros de fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda. A proposta estabelece um prazo de pagamento de até 10 anos, com três anos de carência. As taxas de juros variam conforme o perfil do produtor: 3,5% ao ano para agricultores familiares, 5,5% para médios produtores e 7,5% para demais produtores e cooperativas. Após a divulgação do relatório, a equipe técnica do Ministério da Fazenda enviou um parecer ao gabinete do senador, estimando que o impacto financeiro da proposta pode atingir R$ 817 bilhões em 13 anos, com R$ 150 bilhões previstos para 2027. Essa avaliação considera que o projeto poderia alcançar até R$ 1,39 trilhão em dívidas no período, valor considerado excessivo pela Fazenda. Por outro lado, os senadores argumentam que a proposta limita-se às chamadas “dívidas estressadas” do setor, reduzindo o alcance para cerca de R$ 170 bilhões. Renan Calheiros afirmou que o impasse foi superado e que incluirá no texto uma regra mais clara para delimitar o enquadramento das dívidas. “Aceitamos uma regra de enquadramento que será incorporada ao projeto. O ministro tem mostrado boa vontade, mesmo diante das dificuldades técnicas apresentadas pela equipe econômica”, concluiu o senador.

Contexto

O tema das dívidas rurais é recorrente no Congresso Nacional, dada a relevância do setor agrícola para a economia brasileira e os impactos de eventos climáticos adversos que afetam produtores. O governo federal tem buscado mecanismos para mitigar os efeitos financeiros sobre os agricultores, enquanto o Legislativo tenta estabelecer regras que garantam segurança jurídica e viabilidade fiscal. A discussão atual envolve não apenas a renegociação das dívidas, mas também a forma como os recursos públicos serão utilizados para financiar essas operações, equilibrando apoio ao setor e responsabilidade fiscal.

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